Entenda como a crise está afetando o mercado de trabalho

RENATA SPALLICCI

Carreira

08/08/2017

Com crise atual, as mulheres sofrem ainda mais no mercado de trabalho

Números do mercado no Brasil e no mundo mostram que nós, mulheres, ainda precisamos de uma longa jornada para buscar a igualdade.

Sou uma mulher bastante ativa nas causas do nosso gênero. Isso porque vejo que há ainda um longo caminho para atravessarmos até conseguirmos encontrar a tão sonhada igualdade.

Aqui no meu blog, apesar de não ser um espaço exclusivamente feminino, longe disso, sempre que possível, destaco temas que podem ajudar a mulher a buscar o seu empoderamento e o protagonismo, pois acredito que este é um tema que mulheres e homens devem batalhar juntos para evoluirmos como sociedade.

Seja em matérias com temas que ajudem a mulher ser mais feliz com o seu corpo, ou em artigos sobre a importância do autoconhecimento para a tomada das rédeas de nossas existências, busco municiar vocês com informações úteis para todos os aspectos da vida.

E é claro que, nesse contexto, a carreira profissional é algo extremamente importante. Por isso, esse tema também está constantemente em meu leque de assuntos interessantes para compartilhar com vocês.

 

O mercado no Brasil

Carreira - Entenda como a crise econômica afetou no desemprego no país

Algo que vem me chamando bastante atenção ultimamente, e não de forma positiva, são os números que têm demonstrado que, no Brasil, estamos tendo retrocesso quanto  ao posicionamento da mulher no mercado de trabalho. Infelizmente!

Se não bastasse o desemprego que há dois anos aflige todo o País, impulsionado pela crise da economia brasileira, as mulheres vêm sendo duplamente sacrificadas.

Por quê? Além da escassez de vagas numa economia que enfrenta dificuldades para sair dessa grave recessão em que nos encontramos, a discriminação velada nas empresas complica a situação das trabalhadoras em busca de uma oportunidade.

E os números comprovam! Entre 2012 e 2016, com a retração econômica, o índice de desemprego medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) subiu de 7,9% para 13,6%, na medida mais recente – enquanto a taxa de ocupação da população caiu de 56,3%, em 2012, para 54% em 2016.

Entre as mulheres, o desemprego, no final de 2016, era de 13,8%, tendo atingido 10,7% para os homens.

As vagas de trabalho formal para mulheres caíram mais de 11 mil no primeiro semestre deste ano, enquanto que para os homens houve criação de postos. Os dados são do CAGED, sistema do Ministério do Trabalho.

Muito dessa discrepância pode ser explicada:  o setor que mais empregou foi o agrícola que é tradicionalmente masculino, mas não podemos fechar os olhos para outros fatores que ainda fazem parte do mercado de trabalho em relação à discriminação das mulheres. Até porque, a deterioração do mercado de trabalho para as mulheres não é algo explicado somente pela sazonalidade do mercado agrícola.

A situação pior da mulher na disputa por um lugar no mercado de trabalho é percebida desde o início das pesquisas trimensais feitas pela instituição, no início de 2012. No primeiro levantamento, a taxa para homens desempregados era de 6,2%, ao passo que a das mulheres atingia 10,3%. Com o passar dos anos, a diferença se reduziu timidamente, mas, no último levantamento, voltou a crescer.

Em matéria do jornal O Estado de São Paulo, o coordenador de Trabalho e Renda do IBGE, Cimar Azeredo, comentou que a diferença entre os gêneros tem se mantido desde o início, mas a situação para as trabalhadoras fica ainda mais complicada, durante os períodos de crise no mercado de trabalho. “As tradicionais mazelas com relação à mulher no mercado permanecem. É uma situação cultural do País. A mulher, muitas vezes, sofre preconceito na disputa por vagas, uma vez que algumas empresas temem que elas possam engravidar, ou até fazer dupla jornada em casa”.

Pode parecer incrível, mas o mercado de trabalho ainda nos vê de forma preconceituosa por terem o temor de que nós, mulheres, demos mais atenção à família do que ao trabalho e apresentemos baixa produtividade, em razão da jornada dobrada, no emprego e em casa. Há também o medo de a gravidez nos afastar do compromisso com as metas de desempenho na função.

Outro dado assustador do levantamento do IBGE mostra que a diferença entre os gêneros se mantém entre as mulheres e homens empregados, já que, em média, as trabalhadoras recebem 72% do salário dos homens.

Em entrevista divulgada pela revista Carta Capital, a economista Lucia Garcia, coordenadora do sistema de pesquisa de emprego e desemprego do Dieese, comenta que a entrada mais tardia no mercado e a dificuldade de conciliar a vida doméstica com a laboral pesam sobre as estatísticas.

“As mulheres arcam com a educação dos filhos, com o cuidado da família e das pessoas mais velhas. Esse tempo reprodutivo, que é muito importante para a sociedade, não é valorizado economicamente”, lembra a economista.

“É uma restrição às jornadas de trabalho daquelas que se ocupam e também um limite para a participação no mercado de trabalho das demais.”

O caminho para uma inserção mais justa das mulheres no mundo do trabalho é longo, pois o básico ainda não foi feito. “Políticas como a ampliação da rede de educação infantil ainda é uma questão absolutamente necessária para as mulheres”, lembra Lucia. “E, enquanto esse campo do trabalho não avançar, a autonomia feminina não se dará plenamente”, explica

Posições de liderança fora do Brasil

Carreira - Conheça as lideranças fora do país

E a situação de desigualdade entre gêneros não é um “privilégio” do nosso País. Uma recente pesquisa conduzida pela Heidrick&Struggles, uma das maiores empresas de seleção de altos executivos do mundo, comprovou que, no cenário mundial, a situação também ainda está longe do ideal para a mulher no mercado de trabalho.

O estudo realizado pela consultoria analisou a diversidade na contratação em cargos de liderança das empresas que fazem parte das 500 maiores do mundo, e o resultado não foi bom para nós, que perdemos terreno no último ano, após uma ascensão contínua desde o início da pesquisa, em 2009.

 

Porcentagem de mulheres nas diretorias

Carreira - Veja quantas mulheres estão na diretoria

Com o crescimento apresentado em 2014, a consultoria acreditava que, naquele ritmo, as mulheres alcançariam 50% dos novos diretores, pela primeira vez, em 2024. À luz de dados de 2015, o cálculo previu que a data passaria a ser 2026 e, agora, dada a queda na taxa de crescimento em 2016, a paridade não chegará antes de 2032.

 

Estudo da Organização Internacional do Trabalho

Dada a contínua falta de melhoria da situação das mulheres no mercado de trabalho, a Organização Internacional do Trabalho lançou um programa que pretende identificar medidas inovadoras que tenham o potencial de dar um novo impulso à igualdade de gênero no mercado de trabalho global e um basta à discriminação antes e depois do aniversário da OIT, a ser realizada em 2019.

Para marcar o lançamento desse programa, a Organização publicou um estudo,  Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo – Tendências para Mulheres 2017, que mostra um panorama bastante completo da situação da mulher no mercado de trabalho em todo o mundo.

Em 2014, os líderes do G20 se comprometeram a reduzir em 25% a diferença nas taxas de participação entre homens e mulheres até 2025. O relatório da OIT estima que, se esse objetivo fosse alcançado em nível global, ele teria o potencial de adicionar 5,8 trilhões de dólares à economia de todo o mundo, além de gerar grandes receitas fiscais em potencial.

De acordo com a OIT, a desigualdade de gênero continua a ser um dos desafios mais urgentes que o mundo do trabalho enfrenta  e o relatório da entidade recomenda medidas abrangentes para melhorar a igualdade das condições de trabalho e reformular os papéis de gênero, como: promover a igualdade de remuneração; abordar as causas da segregação ocupacional e setorial; reconhecer, reduzir e redistribuir as tarefas de cuidado não remuneradas; e transformar as instituições para prevenir e eliminar a discriminação, a violência e o assédio no mundo do trabalho.

 

Mais estudo, mas menos oportunidades

É, os números demonstram que realmente não é fácil ser mulher no mercado de trabalho! Sinto que, apesar de já estarmos presentes na vida das empresas, há um bom tempo, o mundo corporativo ainda está se ajustando às demandas femininas, ao mesmo tempo que nós, mulheres, estamos aprendendo a lidar com algumas regras desse jogo.

Por que isso acontece? Somos menos competentes? Tenho absoluta certeza que não! Temos menos estudo? Muito pelo contrário. A proporção de mulheres brasileiras com títulos acadêmicos de nível superior é maior que a de homens – a parcela da população feminina adulta com diploma é de 12%, ante 10% da masculina. Qual o grande problema, então? Oportunidades!!

Exatamente! Temos menos oportunidade do que os homens para crescer na carreira e demonstrar todo nosso potencial!

Para começar, as pressões da sociedade para que a mulher seja a principal cuidadora da casa e dos filhos fazem com que ela acabe dispondo de menos tempo para horas extras excessivas, happy hours, jantares de negócios. Muitas vezes, nos desdobramos nos horários vagos para darmos conta de tudo, enquanto os homens mantêm esses momentos mais livres e se dedicam a fazer networking e trabalhar para suas “promoções”. (Aliás, vale a pena a leitura do artigo Networking: fazer bons relacionamentos é essencial à sua carreira aqui no blog).

A mulher que sai no meio da tarde para fazer a unha é vista com desconfiança, e a que está com as unhas descuidadas em uma reunião de negócios é tida como relaxada! Oi? Como dar conta de tudo isso ao mesmo tempo?

Outro fator que vejo como um “empecilho” é que o público feminino tende a ser menos disposto a fazer acordos e a participar de jogos corporativos! Eu enfrento dificuldades como estas todos os dias. Sempre fui muito fiel a minha essência, e precisei ser muito forte para me manter firme à minha personalidade, a tudo em que acredito e que me faz feliz. É uma luta que preciso travar a cada dia.

É para essa batalha que eu a convido a participar! Só com a união de todas as mulheres é que conseguiremos mudar esses números e atingir a tão sonhada igualdade.

No artigo Um papo reto sobre a inveja entre as mulheres e a sororidade,  eu já abordei a importância de sermos unidas em todos os aspectos de nossas vidas, incluindo a questão profissional.

Nós, mulheres, temos uma força interior, uma resiliência e uma garra que nos diferenciam e que nos dão características únicas e que deveriam nos levar a uma posição de igualdade aos homens. Mas, muitas vezes, não nos apoiamos, não nos ajudamos e não nos colocamos para cima, o que faz com que a nossa luta seja ainda mais difícil!

Mudar este quadro está a nosso alcance! A luta não é simples, mas, juntas, conseguiremos caminhar e, paulatinamente, mudar essa realidade!

Leia também:

A importância da autonomia emocional para a liderança feminina

Mulheres e o mercado de trabalho

Um papo reto sobre a inveja entre as mulheres e a sororidade

Busque seu propósito. Deixe seu legado.

Renata Spallicci

 

Renata Spallicci

Atleta profissional fisiculturismo WBFF, executiva, empresaria, coach, influenciadora digital, escritora, palestrante motivacional e realizadora social fundadora do movimento Fit do Bem.

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