Body Positive Movement - Alterando os padrões de beleza

RENATA SPALLICCI

Fitness

02/08/2018

Movimento body positive luta para quebrar estereótipos

Será que conseguiremos quebrar os padrões de beleza?

Imagine um mundo no qual o termo padrão de beleza é um conceito ultrapassado! Não, ainda estamos muito longe disso, mas já há movimentos que estão lutando para que este sonho se torne realidade!

Você pode estar pensando: mas você, Renata, toda malhada, dizendo que é contra padrões de beleza? Sim, claro que sou! Eu escolhi o mundo fitness para mim porque é o que me faz me sentir bem e é, neste sentido, que luto para empoderar as pessoas!

Para que se aceitem, se amem como são e busquem seus próprios caminhos, sem se preocuparem com padrões e modelos impostos pela sociedade….

Body Positive Movement

Body Positive Movement

Foi exatamente para defender essa postura que nasceu, em 1996, uma organização chamada The Body Positive Movement, fundada por Connie Sobczac. Ela promove o amor-próprio e a aceitação, em oposição à vergonha e às restrições alimentares e, acima de tudo, um olhar positivo e sincero à sua imagem e também à dos outros.Durante anos, o movimento permaneceu na periferia até chegar ao mainstream e crescer vertiginosamente em 2015 com a hashtag #BoPo. De lá para cá, muitas mulheres passaram a abraçar o movimento, e inúmeros perfis que defendem a postura body positive alcançaram milhares de seguidores.

Uma das primeiras dúvidas que surgem para quem conhece pela primeira vez a postura body positive é imaginar que ela é uma atitude de conformismo, mas não é nada disso!

Ser boby positive é um movimento para  aceitar o  que você é hoje, mas que não nega  sua vontade de mudança para o futuro. É aceitar e amar suas celulites e não ter vergonha de mostrá-las, mas não necessariamente não tentar evitá-las, caso elas a incomodem. É se aceitar e se amar sendo magra, gorda, musculosa…

Alterando o estereótipo 

Quebrando os estereótipos de beleza

O mundo está ficando cada dia mais gordo! E com o aumento da obesidade vem a sua crescente discriminação, o que traz a ideia de que o excesso de peso é um sinal de preguiça, falta de higiene e de autocuidado. Estudos também descobriram que a maioria das pessoas associa o excesso de peso a esses estereótipos indesejáveis, e que, até mesmo em entrevistas de emprego, os candidatos obesos são perfis indesejados.

No entanto, ao inspirar as pessoas a se concentrarem na saúde em relação aos padrões de beleza, a BoPo usa uma linguagem que retira estereótipos, criando uma sociedade mais receptiva. Ela separa o peso da saúde, a imagem corporal da autoestima. O movimento reconhece o estigma em torno dos diferentes tipos de corpo e tenta mudar a sociedade para melhor.

Devagarzinho, a mudança começa a render frutos. Na moda mesmo, vemos uma proliferação de marcas que investem no que se convencionou chamar de plus size, e inúmeras modelos que fogem do padrão estético da magreza passaram a ser reconhecidas.

O melhor exemplo disso é a linda Ashley Grahan! Com mais de 7 milhões de seguidores no Insta, ela não tem medo de exibir suas curvas, suas estrias e celulites e ser vista como uma mulher maravilhosa!Primeira modelo pluz size a ser capa da Sports Ilustrated, ela vai quebrando padrões e mostrando que beleza não tem tamanho.

Outra modelo defensora do body positive, e que também é um enorme sucesso (e maravilhosa) é a inglesa Iskra Lawrence. Editora da Runway Riot, um site para as mulheres de todas as formas e tamanhos que desejam aprender sobre glamour, ela possui mais de 4 milhões de seguidores e também não tem medo de expor suas “imperfeições” na rede.

Os pontos-contra ao body positive

Pontos contra o body positive

Mas como tudo no mundo, o movimento tem os seus prós, mas também os seus contras.

Ter a consciência de que você talvez nunca tenha o corpo da Gisele Bündchen é algo realmente libertador e nos soa de forma muito agradável!  Que mundo maravilhoso seria este onde as pessoas com excesso de peso seriam vistas como pessoas comuns, em vez de preguiçosas, estúpidas e sem autocontrole.

É claro que os ideais básicos de positividade corporal são ótimos: as pessoas não devem ser maltratadas por causa de seu peso, e nunca devem se sentir pressionadas a fazer com que seus corpos se encaixem em algum modelo ideal de “magreza”. Isso claramente não é possível – nem remotamente saudável – para a maioria das pessoas. E todos nós devemos aprender a nos amar, seja tamanho 36 ou tamanho 46.

Mas alguns membros do movimento positivo do corpo começaram a promover alguns conceitos extremos, a exemplo do Every Day Feminism, em que foi publicado: “Vamos esclarecer uma coisa: ter um objetivo para a perda intencional de gordura não é positivo para o corpo”. Ou quando a maravilhosa Ashley Graham, que citei acima, perdeu algum peso e recebeu comentários como: “Eu não sou mais um fã seu. Você traiu muita gente!”, como relatado pela CNN.

Ou seja, aceitar o corpo não pode ser de forma nenhuma confundido com ter certa negligência à questão da saúde ou a uma impossibilidade de mudança.

Estar acima do peso não é sinônimo de estar mal de saúde, mas pode ser um alerta. Por isso, o movimento não pode ser uma desculpa para empresas de alimentação justiçarem uma alimentação insalubre, ou de roupas para justificarem tamanhos enormes. Ao mudar os rótulos, as empresas estão favorecendo nossos egos orientados pelo “padrão de beleza” em vez de nossa realidade de “risco à saúde”.

Fora da expectativa irrealista de simplesmente começar a “amar a si mesmo em qualquer tamanho”, alguns ativistas de positividade corporal insistem que o peso não tem nada a ver com a saúde. Infelizmente, isso não é verdade. Como diz Aditi G Jha, do JustDoc.com, “a obesidade central é o principal fator associado ao diabetes, à hipertensão e à infertilidade, em suas respectivas ordens”.

A psicóloga Deb Thompson, Ph.D., acrescenta: “A obesidade é claramente reconhecida pelas organizações mundiais e nacionais de saúde como um dos principais fatores de risco para doenças e morte. A negação da ciência pelo movimento de positividade corporal é preocupante”.

Faça com amor!

Mudando os padrões de beleza

Por isso, eu acredito que a positividade corporal verdadeira significa que você pode fazer o que quiser com o seu corpo, desde que o faça com amor. Algumas pessoas precisam perder peso, visando à  saúde, e eu não acho que haja algo de errado nisso. Outros querem perder peso para se sentirem melhor, o que  também é certo. Outras pessoas amam as suas curvas e se gostam assim e, por isso, querem mantê-las. Também é ótimo. Outras, como eu, gostam de ficar fortes e de marcar os seus músculos, e também não queremos ser julgadas por isso!

Enfim, voltando ao início de nosso texto! Imagine um mundo no qual o termo padrão de beleza é um conceito ultrapassado! Sim, ainda estamos muito longe disso, mas podemos começar a fazer a mudança dentro de nós mesmos,  amando-nos e nos aceitando como somos, com nossas imperfeições e vulnerabilidades!

 

Leia também

Ortorexia é um distúrbio alimentar de quem tem obsessão por alimentação saudável

Amar a si mesmo e a seu corpo gera autoconfiança e liberdade

Você ama seu corpo?

 

Busque seu propósito. Deixe seu legado.

Rê Spallicci

 

 

Renata Spallicci

Atleta profissional fisiculturismo WBFF, executiva, empresaria, coach, influenciadora digital, escritora, palestrante motivacional e realizadora social fundadora do movimento Fit do Bem.

www.renataspallicci.com.br
www.fitdobem.com.br
www.dosonhoarealizacao.com.br