RENATA SPALLICCI

Realização

30/08/2018

Protagonistas – Moda é diversidade e inclusão

C&A é signatária dos Princípios de Empoderamento das Mulheres, da ONU

A minha série de matérias Protagonistas, como o nome sugere, tem o objetivo de colocar a questão da igualdade de gêneros e da liderança feminina no centro da discussão, em diversos aspectos da sociedade. E eu tenho ficado bastante feliz, pois, cada vez mais, chegam até mim iniciativas bacanas neste sentido!

Hoje, eu vou falar de uma delas que achei bárbara! A C&A, empresa com 42 anos de Brasil, fundada em 1841, pelos irmãos Clemens e August, na Holanda, é signatária dos Princípios de Empoderamento das Mulheres, da ONU, que estabelecem algumas metas que valem para os 21 países onde a C&A está presente.

Isto significa que, na prática, a empresa tem que incluir como parte de sua cultura organizacional a questão da igualdade entre gêneros, oferecendo oportunidades iguais e outras importantes medidas que contribuem de forma significativa para  as mulheres alcançarem a igualdade no mercado corporativo.

O que é o Pacto do Empoderamento Feminino Princípios de empoderamento das mulheres

“Igualdade significa negócios.” É sob esta afirmação que a ONU Mulheres e o Pacto Global da ONU vêm trabalhando para promover os Princípios de Empoderamento das Mulheres (WEPs, da sigla em inglês) no Brasil e no mundo. Baseados em práticas empresariais bem-sucedidas, os Princípios de Empoderamento das Mulheres orientam as corporações a adaptarem as políticas existentes ou a criarem novas práticas para trabalhar elementos-chave, a fim de  promover a igualdade entre homens e mulheres no local de trabalho, no mercado, em sua cadeia de valor e na sociedade.

O Brasil tem ocupado uma posição de destaque nessa rede. Só neste ano, 33 empresas brasileiras ou com atuação no Brasil assinaram os Princípios de Empoderamento das Mulheres, tornando público o seu compromisso com a igualdade de gênero e entrando para uma rede de compartilhamento de informações sobre boas práticas adotadas em outros países.

“O setor privado é um dos agentes decisivos para construir um Planeta 50-50 com paridade de gênero. As empresas com atuação no Brasil têm criado soluções e práticas baseadas na transformação da cultura organizacional, influência no setor e na cadeia produtiva. Essa é uma rede fundamental para o desenvolvimento sustentável, com igualdade de gênero e crescimento inclusivo como determina a Agenda 2030”, considera Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil.

7 princípios de empoderamento das ONU Mulheres

Empoderamento feminino: O caso da C&A

Mundialmente, as mulheres constituem maioria dos trabalhadores na indústria do varejo de moda e na C&A, que emprega cerca de 60 mil pessoas em todo o mundo: 80% dos funcionários e da rede de fornecimento são do sexo feminino, assim como  a base de clientes da marca. No Brasil, 68% dos funcionários são mulheres. “Somos uma empresa que fala de diversidade e expressão para nossos clientes e também para o nosso time feminino. As mulheres são inspiradoras e compõem mais da metade da força de trabalho e de consumo no mundo. Elas precisam ser representadas da mesma forma em todas as áreas, inclusive nos cargos de liderança“, disse Márcia Costa, vice-presidente de Gente & Gestão da C&A no Brasil.

E a empresa realmente atua fortemente nesse sentido. Até porque, a C&A tem como sua estratégia “Ser e Expressar-se”. Ou seja, ela acredita que a moda é uma plataforma de expressão e, sendo assim, tem que representar a mais completa diversidade. “E não faria sentido a gente ter esta postura para fora e não a termos internamente. Por isso, a C&A acredita na diversidade. Nosso cliente é diverso, e nós somos diversos. E, por isso, a mulher tem um papel tão importante na organização”, complementa Márcia.

Empoderamento Feminino: Comitê de diversidade

Para reforçar esta postura, a empresa instituiu o Comitê de Diversidade C&A, o grupo responsável por olhar especificamente para este tema dentro da empresa.

Ele surgiu em 2017, baseado nas rodas de conversas que o presidente da empresa, Paulo Correa, mantém como rotina com os funcionários de todas as áreas, quando eles apontam e sugerem ações que acreditam que podem agregar ao negócio.

O objetivo do Comitê é gerar um ambiente cada vez mais respeitoso e inclusivo e, portanto, mais produtivo entre os funcionários da C&A, e as iniciativas sobre diversidade e todo o trabalho são desenvolvidos ao lado da equipe do Comitê de Diversidade, que é formado por cerca de 60 voluntários de diferentes áreas da empresa. A equipe se reúne a cada três semanas para discutir as ações que serão implementadas  e o status das iniciativas que já estão em andamento, como, por exemplo, a Semana da Diversidade, que será realizada no 2º semestre deste ano.

O Comitê é dividido em três frentes distintas, que estão diretamente conectadas ao propósito da empresa de ser e expressar-se para o mundo, a fim de  discutir as questões de gênero, raça e a causa LGBTQ+ dentro do contexto da C&A. Cada um desses grupos apresenta ações que podem, em um momento inicial, gerar repertório a todos os funcionários para que seja criado um ambiente cada vez mais respeitoso e inclusivo dentro da companhia.

Todas as ações pensadas têm como objetivo seguir um caminho estratégico, cujo segundo passo implicará em ações que permitam trazer mais diversidade para o quadro de funcionários e, assim, inspirar também a cadeia de valor.

Partindo desse princípio, as iniciativas do grupo são pensadas e validadas pelo board da empresa e, em seguida, são executadas, contemplando escritório central, centros de distribuição e, sobretudo, as lojas, onde a empresa acredita que, além de impactar a vida do funcionário, contribuirá para a melhor experiência do cliente.

Jornada de empoderamento

Hoje, 20% dos cargos executivos da empresa no Brasil são ocupados por mulheres, e o objetivo da companhia é que, por meio das  iniciativas trabalhadas, este número aumente gradativamente. “Temos que dar ferramentas para que as mulheres possam ocupar estes cargos e promover a jornada de empoderamento”, analisa a VP.

Com ações como a da C&A ou da MetLife, que tratei no artigo Protagonistas: empresa amiga da mulher, acredito que esta jornada será uma realidade não somente nessas companhias, mas em todo o mercado de trabalho.

Em um mundo no qual muitas vezes a moda foi vista como algo excludente, é muito legal ver uma empresa que atua neste segmento trabalhando para mostrar que a moda pode ser sim, inclusiva, diversa e, principalmente, uma plataforma de fortalecimento da mulher rumo à tão sonhada igualdade!

Parabéns C&A pelos 42 anos de Brasil, que completará amanhã, 31 de agosto, mas, principalmente, pela coragem de levantar a bandeira da diversidade e do empoderamento feminino!

E, se curtiu o tema, aproveite para assistir na integra à entrevista que fiz com a VP de Gente e Gestão da C&A, Márcia Costa.

Leia também:

Uma empresa amiga da mulher

A história das lutas femininas

Sem limites para as mulheres no mercado de trabalho

 

Busque seu propósito. Deixe seu legado.

Rê Spallicci

 

 

Renata Spallicci

Atleta profissional fisiculturismo WBFF, executiva, empresaria, coach, influenciadora digital, escritora, palestrante motivacional e realizadora social fundadora do movimento Fit do Bem.

www.renataspallicci.com.br
www.fitdobem.com.br
www.dosonhoarealizacao.com.br