Outubro Rosa

RENATA SPALLICCI

Realização

09/10/2018

Outubro Rosa – autoestima e câncer de mama

A importância de manter a autoestima em pacientes com câncer de mama

Estamos vivendo o Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção ao câncer de mama! E é claro que o meu blog não poderia ficar de fora deste evento mundial que é tão essencial para nós, mulheres!

O câncer de mama é um dos cânceres com maior incidência em todo o mundo. No Brasil, são esperados aproximadamente 57 mil casos novos da doença a cada ano, e o Outubro Rosa surgiu  para que, anualmente, tenhamos um movimento de conscientização da luta contra a doença, estimulando a participação de empresas, entidades e a população em geral.

Como neste mês teremos inúmeras matérias expondo sobre a doença, a importância do diagnóstico precoce para o sucesso do tratamento, etc., resolvi abordar um tema pouco mencionado quando tratamos sobre o câncer de mama, ou seja,  a questão da autoestima nas mulheres que passam por esta condição.

O problema da autoestima

autoestima

O câncer de mama é o mais frequentemente diagnosticado entre as mulheres, e o segundo após o câncer de pulmão nas mortes por este mal  em mulheres. Mas, se a incidência da doença assusta, os números sobre a cura com a detecção precoce do tumor são bem mais animadores. Descoberto em sua fase inicial, a possibilidade de cura se dá em até 95% dos casos.

Mas, mesmo as mulheres sobreviventes que suportam as cirurgias, cicatrizes ou sinais físicos de tratamento, podem levar para sempre preocupações com a imagem corporal e autoestima que podem trazer efeitos colaterais psicológicos de longo prazo. 

Afinal, se em um mundo no qual se dá tanto valor à imagem, ao corpo e à aparência,  os problemas de autoestima nas mulheres já é algo avassalador, imagine quando falamos de mulheres que passaram por tratamento altamente invasivo e que, por muitas vezes, causam a retirada total ou desfiguração das mamas.

Realmente o câncer de mama traz muitas mudanças que podem ter um expressivo  impacto na autoestima. Os efeitos físicos do tratamento (como dor, fadiga e problemas de sono) podem significar que a pessoa não poderá fazer as coisas que costumava fazer, e isso pode persistir por meses ou mesmo anos após o tratamento.

Alterações na  imagem corporal – por meio de cirurgia ou outros efeitos colaterais do tratamento, como perda de cabelo, linfedema e alterações de peso – podem ter um grande impacto na maneira como a pessoa se sente em relação a si mesma. Eles podem deixar a mulher se sentindo menos feminina ou pouco atraente.

Uma sensação de incerteza e perda de controle também podem afetar a autoestima das mulheres que passam por esse problema, assim como uma mudança em seu papel. Muitas mulheres podem, de repente, deixar de ser pessoas independentes – quer estejam trabalhando ou sendo mães ou cuidadoras em tempo integral – para serem um paciente vulnerável ou “aquela pessoa com câncer de mama”.

E a baixa autoestima causada por todos esses fatores podem ter um considerável impacto no humor e na vida cotidiana. Muitas pessoas experimentam uma perda de confiança e motivação, e é comum se sentirem “para baixo” e ansiosas. Muitas evitam ver amigos, participar de eventos sociais e até se envolverem em hobbies ou trabalho,  atividades a que normalmente estavam acostumadas.

Segundo diversos estudos, a baixa autoestima, o baixo apoio emocional e a má imagem corporal levaram a um aumento dos sintomas depressivos e diminuição da  capacidade das pacientes em lidarem com a doença. Por isso, é tão importante tratarmos de forma aberta este tema!

Diagnóstico e tratamento

Diagnóstico e tratamento de câncer de mama

Receber o diagnóstico de câncer de mama é um momento assustador para qualquer mulher! E é claro que a primeira preocupação vem em relação à gravidade e  extensão da doença. “Por mais que eu achasse que eu estava preparada, quando eu li o diagnóstico da biópsia, aquilo me assustou. E a minha maior preocupação era saber a extensão do problema”, me revelou Edilene Simonelli Carvalho, que há cerca de 20 dias realizou a cirurgia para a retirada de sua mama direita, em decorrência do tumor.

Por ter realizado a cirurgia recentemente ela conta que ainda não sabe qual será a continuidade do tratamento, mas se diz preparada para o que der e vier. “Cabelo cai e cabelo cresce ,e hoje, há tantos lenços bacanas que a gente sempre dará um jeito. Eu acredito que sou mais que meu cabelo e que esta experiência será um aprendizado em minha vida”, ensina.

Superação - Outubro Rosa

Outra mulher que foi diagnosticada com um tumor e passou pelo tratamento foi Giani Celini. Ela conta que, inicialmente, o que mais a assustava era o tempo que levaria para estar bem de novo.  “O tempo do tratamento é bastante desgastante e quando a médica me disse que, ao começar a químio,  em 15 dias eu ia perder meu cabelo, foi bastante difícil. Mas com força e apoio consegui superar”, comentou.

Giani fez 16 sessões de quimioterapia, cirurgia para a retirada da mama, colocação de prótese e radioterapia.  E ela me contou que sempre fez questão de lutar para não se abater e que tem certeza de que manter a autoestima foi essencial. “Perdemos todos os pelos do corpo e realmente isso nos modifica muito. É um choque! Porque a doença em si você não vê, mas sim, as consequências. Mas todo o dia de manhã, eu fazia questão de me arrumar, colocar um lenço, me maquiar, colocar brinco. Não queria chocar os outros,  nem a mim mesma. Ganhei duas perucas que usei bastante tempo e que me ajudaram muito a me manter bem. Eu até aproveitei os visuais diferentes que as duas perucas me proporcionavam para brincar com isso, fazer bastantes fotos, postar, enfim, tentei levar tudo da forma mais leve possível, por mais que em alguns momentos a tristeza batesse”, conta.

Dicas para melhorar a autoestima

O que mais me emocionou na história da Edilene e da Giani é a força de ambas para passarem por este momento, e tenho certeza de que ta forma de elas encararem a condição é essencial para quem passa pelo mesmo problema! Por isso, além de trazer a lição de vida e de força dessas duas mulheres incríveis, quero compartilhar dez dicas para melhorar a autoestima de quem passa por isto!

  1. Comemore as pequenas coisas 

Concentrar-se nos aspectos positivos pode nos ajudar a melhorar nosso humor e quebrar hábitos de pensamento negativo. Tente anotar algumas coisas positivas no final de cada dia. Pense em coisas que aconteceram, algo que você tenha feito ou um elogio recebido.

  1. Prepare-se para um desafio

 Talvez você queira voltar a um hobby que costumava aproveitar ou aprender algo novo. Faça um plano viável e estabeleça um cronograma realista. Depois de conseguir, parabenize-se e permita que outros a cumprimentem  também.

  1. Seja mais consciente

Podemos facilmente nos prender em nossos pensamentos e acreditar que são fatos. Mas, na realidade, pensamentos são apenas pensamentos e não são necessariamente verdadeiros. Quando você perceber pensamentos inúteis como “eu sou lixo” ou “eu deveria ser capaz de lidar”, tente adicionar a frase “Estou tendo o pensamento que …” antes do pensamento, ou diga: “Lá vai aquele crítico interior novamente”. Técnicas como essas podem nos ajudar a levar nossos pensamentos menos a sério.

  1. Seja compassivo consigo mesmo

Autocompaixão não é sobre autoindulgência, mas sobre entender quando estamos lutando e não nos punindo por isso. Fique atento a esse crítico interior e, quando perceber, pergunte a si mesmo: “O que eu diria a um amigo?”

  1. Procure pessoas de apoio

Cerque-se de pessoas de apoio que amam e valorizam você.

  1. Não se compare com os outros (ou com você mesma antes do câncer)

Todos nós caímos na armadilha de nos compararmos com outras pessoas, mas também podemos nos comparar com o nosso “eu antigo”. Por exemplo, você pode pensar em todas as coisas que poderia fazer antes do câncer. Isso geralmente resulta em nos sentirmos baixos e ruins a nosso respeito. Tente ver até aonde você chegou e como pode continuar progredindo – isso ajudará a motivá-la e a melhorar sua autoestima.

  1. Arranje tempo para você

Geralmente, não gastamos tempo suficiente fazendo algo que amamos ou que nos faz sentir bem conosco mesmos. Tente proporcionar  algum tempo para você a cada dia ou semana e não se permita se sentir culpada – você já ganhou.

  1. Defina expectativas realistas

Muitas vezes sentimos que devemos ser capazes de gerenciar ou alcançar certas coisas e nos machucamos quando não conseguimos. Lembre-se de tudo pelo que você passou e avalie a si mesma. Lembre-se  de que o ótimo é inimigo do bom.

  1. Cuide de você 

Coma bem e faça exercícios regularmente. Converse com o seu médico sobre o que pode e não pode fazer e evite o sedentarismo.

  1. Obtenha suporte, se precisar

 Se você já tentou essas dicas e descobriu que elas não funcionaram para você, fale com alguém sobre obter algum suporte. Pode ser um desafio pedir ajuda, mas sua equipe de tratamento estará ciente dos serviços locais de aconselhamento e psicologia que podem ajudá-la a explorar suas angústias.

Por fim, gostaria de deixar o conselho das nossas duas guerreiras para todas as mulheres!

“Primeiramente, é importante reforçar o quanto o autoexame e os exames de rotina e preventivos são fundamentais para descobrir o câncer o mais rapidamente possível. E tendo um diagnóstico positivo, acredite que tudo vai dar certo! Quando trazemos os pensamentos pelo lado positivo e com fé, as coisas caminham para o bem. Hoje a medicina está superavançada e existem muitos tratamentos. Encarar  sem medo é essencial! E sem descer do salto! Rs… Coragem, maquiagem, autoestima e fé.”

Edilene

“Faça a sua parte que Deus faz a dele! Se é do  nosso merecimento, vamos passar da melhor forma. O tratamento é demorado, é complicado, mas  passa. Se apegue aos amigos, família que tudo isso vai  lhe fortalecer! Sinta-se amada e ame-se acima de tudo! E não desista jamais.”

Giani

Gratidão à Edilene e Giani por se prontificarem a compartilhar as suas histórias. Espero que estas palavras inspirem a todas as mulheres a fazerem os exames e àquelas que se encontram em tratamento a se espelharem em ambas para perceber o quanto o amor próprio e a autoestima são essenciais na cura!

 

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Rê Spallicci

 

Renata Spallicci

Atleta profissional fisiculturismo WBFF, executiva, empresaria, coach, influenciadora digital, escritora, palestrante motivacional e realizadora social fundadora do movimento Fit do Bem.

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