Autoconhecimento

O poder do agora

Presente na única palestra do autor e mestre espiritual Eckhart Tolle, no Brasil, Renata Spallicci compartilha os ensinamentos e aprendizados que absorveu.

 12 de novembro de 2016
11 min de leitura

O poder do agora!

Wow! Foi uma das palestras mais incríveis que ficará para historia dos momentos memoráveis e inesquecíveis da minha vida! E quero compartilhar com vocês cada detalhe desta degustação de Eckhart Tolle.

Pela primeira vez no Brasil, o escritor de nome megadifícil já me trouxe um primeiro desafio: “tentar” aprender a pronunciar seu nome!!! Rs PS: Estou tentando até agora!!! Rs,

Ele se apresentou no Auditório Celso Furtado, no Anhembi. Com capacidade para mais de 2.500 pessoas e o auditório estava bombando!!! O que me deixou extremamente feliz, já que Eckhart é o autor do livro que mais gosto: “O despertar de uma nova consciência”.

Antes de falar da palestra propriamente dita, me deixe só contar um pouquinho sobre o Eckhart Tolle. Ele é autor dos best-sellers ‘O Poder do Agora’, ‘Um novo mundo – O despertar de uma nova consciência’, ‘O Poder do Silêncio’ e ‘Praticando o Poder do Agora,’ e é um dos mestres espirituais mais cultuados da atualidade. Os ensinamentos de Eckhart são centrados no despertar da consciência na humanidade. Uma mudança que parece ser cada vez mais urgente e necessária em nosso mundo.

“O NÃO-PENSAR É TER MAIS CONSCIÊNCIA”

Eckhart Tolle

E lá estava eu frente a frente com um dos meus mestres. Com rosto jovial, embora corcunda (o que confesso me surpreendeu) tem uma presença muito agradável   e serena, sua energia ocupa rapidamente todo o auditório. E mesmo tendo um tom de voz baixo, logo prende a atenção de todos com seus ensinamentos!

Eckhart já demonstra sua simplicidade e sua forma única de enxergar o mundo na própria maneira como solicita que seja realizada a tradução da sua palestra. Ao invés de uma tradução simultânea, ele prefere falar um trecho e, aí sim, o tradutor repete as palavras em português. E, segundo ele, tal procedimento  tem uma razão de ser, porque muito do que ouviríamos naquela noite não poderia ser compreendido com a razão, pois as palavras não podem expressar o que tem de ser sentido e percebido. Afinal, conforme ele ensina, “as palavras são apenas os indicadores. O fundamental é a quietude em que surgem”.

E é sobre palavras, pensamento e consciência que Eckhart traz os seus maiores ensinamentos. Segundo ele, nós, humanos, estamos acometidos por uma “doença mental” do excesso de pensamento.

Segundo Eckhart, , para nos “curarmos” desta inquietude de pensamentos e da mente hiperativa que não nos deixa descansar nunca, precisamos despertar uma nova consciência.

Mas o que seria esse excesso de pensamento? Todos nós temos constantemente uma voz em nossa cabeça, que são os nossos pensamentos. E essa voz não para nunca. E é essa voz, ou seja, nossos pensamentos que acabam definindo quem somos.

O problema está em que esse pensamento inconsciente se torna algo que não controlamos, assim, o fluxo de pensamento vai se tornando cada dia mais intenso e, na maioria das vezes, define nossa personalidade e nos prende a um nível inferior de consciência.

Para Eckhart, há vários níveis de consciência. O nível de uma planta, de um animal irracional e os diversos níveis de consciência dos seres humanos. Quando vivemos presos aos nossos pensamentos e não conseguimos calá-los por alguns instantes, a fim de  despertar a nossa verdadeira consciência, ficamos em um nível menor da consciência humana. E, para nos elevarmos espiritualmente e como seres conscientes, precisamos aprender a nos desligar dos nossos pensamentos, não julgar, não analisar e ver as coisas como elas simplesmente são e não como uma projeção, um pensamento analítico que acabamos fazendo sobre tudo o que vemos e sentimos.

Unindo ensinamentos de Jesus, Buda e outros mestres espirituais, Eckhart nos mostra a necessidade de vivermos o momento presente em sua plenitude, pois só assim conseguiremos nos libertar das amarras do pensamento e vivermos de acordo com a nossa consciência que é nossa verdadeira essência.

Narciso e a pressão da autoimagem

Fazendo uma analogia com a história mitológica de Narciso que,  certo dia, viu pela primeira vez sua imagem refletida na água e se apaixonou por si mesmo, Eckhart ensina que, a partir desse momento em que nos descobrimos e nos apaixonamos pela nossa autoimagem, deixamos de atingir os níveis superiores de consciência e passamos a viver de acordo com o fluxo de pensamento, presos em conceitos preconcebidos e na busca de uma realização projetada por esse pensamento que nunca se realizará, causando ansiedade e insatisfação.

“Sua vida nunca estará 100% definida e realizada, em todos os aspectos: carreira, trabalho, hobby, família. Esqueça isso, é impossível, e nunca acontecerá. E, se você está esperando isto para ficar em paz e feliz, esqueça:  isto não vai acontecer”, provoca.

Entretanto, quando você descobre que não precisa estar pensando, analisando e julgando o tempo todo, consegue descobrir algumas lacunas em seu pensamento e, aí sim, você começa a ficar sereno e verdadeiramente em paz. Pense numa sensação linda de liberdade!!! Nós vivemos isso em alguns momentos e sabemos como fazer, porém poucas vezes conseguimos verdadeiramente estar no momento presente! E é supersimples, mas tanto quanto simples é difícil de realizar!

Eckhart diz que deveríamos viver na terra como se fossemos extraterrestres recém-chegados à terra. Com a curiosidade de quem nada conhece e nada julga, pois não tem referência pregressa sobre aquilo. É mais ou menos como vivem as crianças quando estão descobrindo o mundo, curiosas e atentas sobre tudo!

Quem nunca observou como um bebê vê o mundo com certa inveja do brilho nos olhos, da curiosidade pura e da ingenuidade típica das crianças?

É uma pena que vamos perdendo esta capacidade com o passar do tempo, com o acumulo de referencias e respostas para tudo o que vemos e conhecemos.

 

Como interromper o fluxo de pensamentos?

Muitas pessoas o fazem por meio de bebidas, drogas, entorpecentes, etc., mas, se isso realmente ajuda a pessoa a parar de pensar,  por desacelerar os pensamentos, não o  eleva em termos de consciência, muito pelo contrário, joga você para um nível ainda inferior.

A única forma de realmente elevar a consciência não é mascarando seus pensamentos, mas estar em um estado de atenção plena e permanente no momento presente.

Para o autor, devemos estar presentes em todas as percepções com todos os sentidos aguçados:  olfato, tato, visão, enfim, simplesmente contemplando as coisas e os momentos sem interpretar. Só assim poderemos nos conectar com nossa consciência que é a essência de quem somos.

E, quando somos conscientes de sermos conscientes, conseguimos reconhecer a mesma consciência em todos os seres humanos e aí começamos a perceber que há algo mais do que a forma física e psicológica em todos nós, e chegaremos a um processo de unidade e amor pleno.

Lindo demais né? Não é à toa que sou fã demais do Eckhart!

Tudo o que nós temos é o momento presente e nada mais do que isso. As lembranças do passado só acontecem no momento presente. As projeções do futuro só podem também surgir no agora e no momento presente. Sem o agora, não existe passado e não existe futuro.

 

Quero lhe fazer uma provocação: Voce vive o agora?

Quantas vezes seu pensamento lhe fez odiar o momento presente?

Quantas vezes sua mente lhe forcou a acreditar que aquele não era o momento?

Sua mente reclama de tudo o tempo todo? Te faz infeliz? Frustrado?

Porque você sempre projeta em sua mente que algo poderia ser melhor?

Ou seja, quantas vezes nos tornamos escravos do pensamento e não vivemos o momento presente em sua plenitude e de forma verdadeiramente consciente?

Quando você é capaz de perceber as ciladas que a sua mente e seus pensamentos lhe pregam, fazendo com que esteja sempre insatisfeito e reclamando de todas as situações, você entra em outra vibração e começa a compreender que a sua “infelicidade” não vem de situações verdadeiras, mas sim, de projeções que a sua mente cria que não foram satisfeitas.

Esse é um momento de liberação, aquele em que  começamos a reconhecer a dimensão mais profunda do nosso ser, que  é quando conseguimos estar conscientes de nossa própria presença e consciência sem pensamento.

Para o mestre, a nossa mente é um receptor da consciência universal, e cada ser humano é uma manifestação e um pedacinho dessa única consciência universal. Quando despertarmos essa consciência, perceberemos que a consciência e o universo estão dentro de nós.

Algumas religiões explicam essa consciência universal como uma luz. Jesus disse: “eu sou a luz do mundo”, e você é a luz do mundo, ou seja, a essência dentro de cada ser humano é a luz do mundo. É a consciência sem a qual o mundo não existiria.

“Então, se a nossa consciência é Deus, pode concluir que somos Deus?”,  muitos lhe perguntam. E ele responde: em partes, e explica com uma belíssima analogia:  Um raio de sol é Sol, pois é parte dele, mas ele é O Sol? Sim e não! Ele é parte do sol e pode ser visto e sentido como o sol, mas ele não é o sol.

A consciência é Deus, e ela está fluindo dentro de nós. Mas sozinhos não somos a consciência. “Somos como os raios de Sol.”

Eu acredito que estamos em um momento no qual muitos seres humanos estão despertando para uma nova consciência. E tenho realmente fé em um mundo no qual nós poderemos viver em uma outra vibração e muito mais integrados e conscientes de que somos todos parte de um todo! A palestra lotada prova que estamos despertando! Que há uma linda busca por encontrar a nossa essência!

Os ensinamentos de Eckhart e daquela noite mágica ficarão para sempre guardados comigo! E, na história da minha vida, no volume sobre autoconhecimento, aquela noite e os ensinamentos que obtive serão certamente um capítulo especial.

Gratidão por ter tido a chance de presenciar esses ensinamentos, e espero ter conseguido compartilhar um pouco do que aprendi e absorvi!

 

 

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Rê Spallicci