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Mulheres no topo

Equidade de gênero: Mulheres na liderança contribuem para aumentar os resultados financeiros

 29 de abril de 2021

Quarenta e uma mulheres figuram como CEOs na famosa lista Fortune 500, das 500 maiores empresas do mundo. É um avanço em relação ao passado, mas, ainda assim, somente 8% das empresas presentes na lista são lideradas por mulheres.

No mundo, em 2019, pouco mais de um terço (36%) dos conselhos globais tinham pelo menos três mulheres, de acordo com o MSCI Index (sigla para Morgan Stanley Capital International, uma empresa americana que emite análises para investimentos como equity, fundos de hedge e índices de mercado).

E uma pesquisa feita pela IBM, também em 2019, com 2.300 organizações em todo o planeta, apontou que apenas 18% das principais posições de liderança — incluindo executivos, vice-presidentes, diretores e gerentes seniores — são ocupadas por mulheres.

Os números no Brasil

No Brasil, entretanto, o ritmo de crescimento da participação feminina no topo das organizações foi bem mais lento. Em 2020, o percentual de mulheres em conselhos de administração nas empresas brasileiras foi de 11,5%, conforme o Spencer Stuart Board Index Brasil (contra 7,3% em 2016).

Isso vai mudar?

O crescente movimento do empoderamento feminino e paridade de gênero na alta gestão que vemos nos Estados Unidos também deve inspirar ações no Brasil, embora com velocidade menor. Empresas norte-americanas como General Motors, Viacom, Best Buy e Omnicon têm metade ou até mesmo maioria de mulheres nos seus conselhos administrativos ou na diretoria. Podemos perceber que isso já demonstra sinais de mudança.

Acredito que três fatores primordiais influenciaram essa evolução. Primeiro, o crescimento da diversidade de gênero como tema no globalismo e no mundo dos negócios, sobretudo na responsabilidade social empresarial. Cada vez mais, novos estudos e pesquisas científicas surgiram indicando os benefícios da vantagem de equilíbrio de gênero na alta gestão, mostrando efetivamente que a diversidade é mais eficaz para a governança, impacto social e melhor resultado financeiro das organizações.

Em segundo lugar, é inegável que as mulheres trazem uma diversidade de pensamentos, perspectivas e tomadas de decisão sobre as questões que as empresas enfrentam atualmente. Elas são as principais compradoras de produtos de consumo e 41% também são as principais provedoras de sustento de suas famílias.

Entre outras características, destacamos que as mulheres se adaptam mais facilmente ao Mundo VUCA (veja aqui), pois são mais flexíveis, multifacetadas e têm visão sistêmica geralmente mais ampla do que os homens. Elas também são mais abertas a mudanças e possuem menos rigidez.

Hoje, grandes investidores institucionais, como Black Rock e Goldman Sachs, só fazem negócios com empresas que tenham paridade de gênero. Além disso, “investidores ativistas” têm claramente examinado a composição dos conselhos e diretorias, assim como os consumidores conscientes avaliam se a empresa valoriza a diversidade e trata as mulheres com equidade em suas políticas de gestão.

Um ótimo exemplo de ativismo é o de Melinda Gates, esposa de Bill Gates e cofundadora da Bill & Melinda Gates Foundation, que está investindo US$ 1 bilhão para promover a igualdade de gênero. Entre suas prioridades estão:

• Dissipar barreiras que as mulheres enfrentam no trabalho;

• Criar oportunidades para escalar posições de liderança;

• Garantir que as empresas sejam responsabilizadas por promover a igualdade de gênero.

Governos de diversos países, como a França, (que tem a participação de 43,4% de mulheres em Conselhos), estabeleceram quotas para as empresas obrigando-as a nomear uma quantidade regulamentada de mulheres para cargos de alta direção e conselhos de administração. O debate sobre as quotas tem sido polêmico e envolve calorosa discussão entre os especialistas, mas pode ser um caminho interessante.

Que benefícios as mulheres trazem para os negócios?

 

São muitas as evidências científicas que comprovam que as mulheres fazem toda a diferença nos resultados financeiros das organizações que têm paridade de gênero. O relatório “Women in Business and Management: the business case for change”, de 2019 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), pesquisou quase 13.000 empresas em 70 países e identificou que 54,3% de participantes de pequenas empresas, 64,1% de médias e 58,8% de grandes companhias afirmaram que iniciativas de diversidade de gênero contribuíram para aumentar os resultados de negócio, incluindo produtividade, lucratividade, inovação, atração e retenção de talentos, atendimento ao cliente e reputação da organização. Quase três quartos das empresas que acompanharam a diversidade de gênero em sua gestão relataram aumentos de lucro entre 5 e 20%, com a maioria vendo aumentos entre 10 e 15%.

Creio que esses dados já falam muito por si só, e quero encerrar com a frase de Deborah France-Massin, da Organização Internacional do Trabalho: “As empresas devem olhar para o equilíbrio de gênero como uma questão fundamental e não apenas como uma questão de recursos humanos.”

Busque seu propósito. Deixe o seu legado.

Rê Spallicci

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