Carreira

Uma revolução silenciosa

Precisa colocar um quadro, mas não tem uma furadeira? Quer um carro de luxo para uma única ocasião? Não quer investir em um vestido de festa para usar somente uma vez? Situações como essas vêm dando força e fazendo crescer os adeptos da chamada economia colaborativa, uma nova forma de consumo que promete revolucionar o mundo.

 6 de janeiro de 2016
5 min de leitura

Uma revolução silenciosa

Um novo modelo econômico está mudando a forma como encaramos bens e serviços. Sem muito estardalhaço, a economia colaborativa ou compartilhada está a cada dia ganhando mais adeptos ao redor do mundo.

Surgida no início dos anos 2000 e fortalecida com a crise econômica mundial, em 2008, a economia colaborativa nada mais é do que o compartilhamento de recursos, seja um carro, uma casa, uma furadeira ou um serviço.

Com a força da tecnologia e da internet, está cada vez mais fácil compartilhar e é esta nova forma de consumo que vem revolucionando alguns serviços.

Na economia colaborativa, você pode alugar uma bike para passear, conseguir um vestido de grife para ir a um jantar, pegar emprestada uma furadeira para colocar um quadro, usar por uma semana um brinquedo que seu filho adora (mas do qual  logo vai enjoar) e até arranjar alguém que cuide do seu pet, enquanto você viaja. Nessa proposta, o mais importante é o acesso e não a posse.

Uma das vantagens da economia colaborativa é seu caráter sustentável, uma vez que, ao estimular  a troca e o compartilhamento de recursos, prega um consumo mais consciente.

No Brasil, a ideia vem ganhando força e já são vários os serviços que se valem da economia colaborativa para fins diversos.

Uma dessas plataformas é o tem açúcar que promove, por meio de um site, a troca de produtos diversos entre vizinhos.  Brincando com a máxima do vizinho que pede aquela colher de açúcar para terminar o bolo, a proposta é fazer com que pessoas compartilhem coisas entre si, por meio de empréstimos ou de doações, incentivando a troca responsável na própria vizinhança.

Já bastante difundido nos Estados Unidos e na Europa, a ideia do carro compartilhado também vem adquirindo aceitação no   Brasil. Na capital paulista, a brasileira Zazcar opera com uma frota de aproximadamente 60 veículos, distribuídos por 45 pontos de partida (PODs, na sigla em inglês). A empresa iniciou as atividades em caráter experimental em 2009, com cerca de dez carros. O usuário se cadastra pela internet e, além de pagar pelo uso do automóvel, desembolsa uma mensalidade. Um das principais diferenças em relação a uma locadora tradicional está na cobrança por tempo de uso — no mínimo uma hora, com tarifação subsequente por frações de 15 minutos. Seguro e combustível estão incluídos na tarifa, que para um Gol — de segunda a quinta-feira — é de R$ 9,90 por hora. A chave fica dentro do veículo que é aberto com a utilização de um cartão magnético.

Em Curitiba, o projeto Ecoelétrico, da Prefeitura de Curitiba, pretende espalhar 600 carros elétricos compartilhados e cerca de mil vagas pela capital paranaense. O prazo para chegar a esta meta ainda não foi definido: por enquanto, apenas dez carros elétricos são usados pela administração pública, e um ônibus, também movido a eletricidade, foi entregue na semana passada.

Confiança

Um dos principais questionamentos de quem torce o nariz para os serviços compartilhados é a segurança e a confiança. Afinal, como garantir que as pessoas com quem vou compartilhar serão honestas? O princípio número um para este tipo de serviço é a avaliação do usuário. Ou seja: as empresas mediadoras desse tipo de serviço desenvolvem seus próprios mecanismos de confiabilidade, seja na forma da verificação de um documento ou de uma entrevista.

Mas é a reputação dos usuários o grande truque para assegurar o sucesso e mostrar credibilidade dentro de serviços como esses. Toda vez que você empresta um objeto, recebe hóspedes na sua casa, aluga um carro, você será avaliado. A pessoa com quem você fez negócio deixará um depoimento, relatando  sobre a experiência e, se houver algum problema, a situação será registrada em uma “ficha”. Como esses serviços têm seus dados pessoais e, muitas vezes, estão conectados às suas redes sociais, aplicar golpes fica muito mais difícil.

Futuro é agora

Para quem pensa que a economia colaborativa é o capitalismo do futuro, uma importante notícia: o futuro é agora e aqui!

A ONG Cidade Colaborativa oferece em seu site um cadastro atualizado com mais de cem  projetos já consolidados e disponíveis na cidade de São Paulo, incentivando a criação de um ponto de encontro virtual entre pessoas, empresas e instituições dispostas a organizarem formas mais sustentáveis de oferecer bens e serviços.

Busque seu propósito. Deixe seu legado.

Rê Spallicci