Carreira

As maravilhas e dificuldades para empreender

Saiba identificar e superar todas as dificuldades para criar um novo negócio e vá em busca da realização de seu sonho.

 22 de maio de 2017
12 min de leitura

Entenda como empreender hoje

Nos últimos seis meses, estou tendo uma das experiências mais maravilhosas e, ao mesmo tempo, extenuantes da minha vida. Após uma carreira de executiva construída com sucesso, resolvi dar vazão ao meu lado empreendedor e abrir a minha primeira empresa: a Editora Legacy, que está estreando no mercado editorial brasileiro com o meu livro Do Sonho à Realização, assunto que tratei há alguns dias no artigo Meu primeiro livro “Do sonho à realização” vem aí.

Claro que por ter esse perfil criativo e empreendedor, eu já havia me dedicado, ao longo da minha vida, à criação de diversos outros projetos, mas eram sempre ligados à minha atuação na Apsen ou ao empreendedorismo social, como ocorreu com a criação do Fit do Bem. Começar um negócio assim do zero está sendo a minha primeira vez!

O sonho de construir o próprio empreendimento, totalmente sedimentado em meus propósitos, crenças e valores, é algo realmente mágico e fascinante. Tenho trabalhado sete dias por semana, muitas e muitas horas por dia, mas sempre com um prazer enorme de ver aquilo que eu havia imaginado tornando-se realidade a cada dia. Todos os dias, quando acordo, tenho mais e mais certeza de que tomei a decisão certa de acreditar e ir em busca do meu sonho!

Mas, como tudo na vida, há também um lado bastante difícil em se empreender, principalmente no Brasil, e é exatamente sobre esse tema que quero falar com vocês em meu artigo de hoje!

Empreender no Brasil é complicado

Entenda como empreender no Brasil é complicado

Não vamos nos enganar! Empreender é algo difícil em qualquer parte do mundo! Criar algo novo, buscar financiamentos, clientes, ter resiliência para continuar depois de ouvir muitos “nãos”, fazer com que outras pessoas entrem naquele sonho com você… Enfim, todo empreendedor tem que passar por tudo isso!

Mas, infelizmente, no Brasil, além dessas dificuldades inerentes a qualquer tipo de empreendedorismo, temos alguns outros fatores que se transformam em grandes obstáculos para quem quer construir um novo negócio.

A alta carga tributária, a burocracia morosa e a dificuldade em conseguir o crédito necessário para começar desmotivam grande parte dos empreendedores que desejam dar vida às suas ideias.

Em recente pesquisa encomendada por um renomado site de descontos com diversos empreendedores, os pesquisados classificaram por ordem de importância os itens mais preocupantes para abrir um negócio. A maioria (3,71) respondeu infraestrutura, seguindo-se  impostos (3,44), burocracia (3,28), custo de capital inicial (3,13) e capital humano, com 3,04.

Conheça o gráfico com os itens mais preocupantes ao abrir um negócio

Em relação à infraestrutura, o item de maior dificuldade é a dependência de poucos fornecedores (59,2%) e a falta de fornecedores qualificados (40,8%). Já sobre impostos, para a maioria (69,8%), o problema está nas altas cargas tributárias e na complexidade em pagar os impostos (23,8%).

Sobre a burocracia, a lentidão para formar a empresa, obtenção de alvarás e licenças são os  maiores percalços para os empreendedores, com 69,8% das respostas; 29,8% dos empresários responderam complexidade da legislação em seu setor.

Os altos juros (57%) constituem o item que mais dificulta os custos de capital, seguido de dificuldades de conseguir financiamento/crédito (37,4%); 5,7% apontaram algum outro fator.

E eu, com menor ou maior grau, passei por várias dessas dificuldades. Principalmente a burocracia e a questão dos impostos me chamaram bastante atenção. Tenho a vantagem de começar a Legacy já com uma estrutura e contar com uma advogada, um contador, mas fico imaginando o quanto deve sofrer quem não dispõe desses profissionais e de recursos para investir!

E, em situações críticas da economia, como essa que estamos atravessando, empreender tornou-se a saída para muitos profissionais que se viram fora do mercado de trabalho e precisavam se reposicionar e, infelizmente, não são todos que possuem grandes recursos para iniciarem suas empresas. Por isso, julgo muito importante para o País destravar um pouco essas questões até como estímulo à economia! Isso porque, aqueles que se dispõem a empreender nas mais variadas áreas abrem espaço no mercado para diferentes produtos e novas formas de comércio, o que enriquece a economia.

Mas de maneira alguma eu quero desanimar quem está pensando em começar o seu próprio negócio! Muito pelo contrário, eu superincentivo quem quer correr atrás daquilo com que sonha e vai buscar a sua realização profissional e pessoal!

Mesmo com todas as dificuldades citadas acima e com a crise pela qual passamos, empreender vale a pena!

Afinal, a crise traz com ela oportunidades em diversos segmentos e pode ser a ocasião ideal para quem sonha em criar um novo negócio. Há um ditado que diz assim: “enquanto uns choram, outros vendem lenços”. E é nisso que acredito. Em todo segmento existem as oportunidades.

E os números mostram que, realmente, empreender vem fazendo parte do cotidiano recente do brasileiro. De acordo com o a última pesquisa do Indicador Serasa Experian, foram criadas 1.865.183 novas empresas no Brasil. Ou seja, mais de 5.100 novas empresas por dia. E muita gente quer ainda fazer parte desse time. Outro levantamento sobre o tema ressalta que 76% dos brasileiros prefeririam ter um negócio próprio a ser empregado de terceiros, a segunda maior taxa do mundo, somente atrás da Turquia.

 

Conhecimento é fundamental

No entanto, superar todas essas dificuldades iniciais e estruturais é somente o primeiro passo para se ter um negócio. Afinal, o maior desafio das empresas é sobreviver aos primeiros anos de vida, e os motivos para que o negócio não prospere está quase sempre atrelado a um único fator: falta de preparo e de conhecimento por parte dos empreendedores.

É o que atesta uma pesquisa do SEBRAE que analisou o principal motivo de fracasso das empresas, nos primeiros cinco anos de vida. Segundo o levantamento, os negócios que fecharam suas portas, nos primeiros anos, foram, na maioria, mal administrados. Por exemplo, 39% não sabiam qual era o capital de giro necessário para abrir o negócio, 61% não procuraram ajuda de pessoas ou instituições para a abertura, 50% não determinaram o valor do lucro pretendido, 42% não calcularam o nível de vendas para cobrir custos e gerar o lucro pretendido. Enfim, informações imprescindíveis para alguém que quer empreender.

É por isso que o principal capital do empreendedor deve ser o conhecimento. Com o crescimento do número de pequenas e médias empresas no País, houve também o aumento no número de cursos, universidades, livros e material didático que facilitam a vida de quem quer empreender no Brasil. Desse modo, mais do que nunca, está na mão dos novos empreendedores a busca pelo conhecimento, já que o material sobre o assunto é farto e disponível.

Um levantamento da Endeavor sobre esse público mostrou que, para todos os perfis de empreendedores, há um gap de aprendizado em alguma ou outra área que poderia ser solucionado por meio de cursos formais, e que aumentaria a competitividade de nossas micro e pequenas empresas.

Por este motivo é que eu, desde o início do projeto da editora, venho estudando muito o mercado, procurando conversar com pessoas do meio, lendo sobre tudo o que está relacionado ao meu novo negócio. Achar que minha experiência como executiva já me credencia automaticamente para o sucesso nesse novo trabalho seria o meu maior pecado!

Então, se você pretende empreender, tenha em mente que vai ter de suar muito, trabalhar duro, perder finais de semana e noites para alcançar os seus objetivos! E de uma coisa eu tenho certeza: o sucesso nunca acontece somente por sorte ou pelo acaso!

 

Amor pelo que faz

Se buscar conhecimento é algo imprescindível, ter paixão pelo que faz é outro pilar necessário para quem busca construir uma nova empresa. Afinal, o talento para negócios pode até ser aprendido em livros, mas ter paixão por aquele segmento no qual o empreendedor pretende atuar é algo que somente quem está à frente do negócio pode garantir.

Eu sou uma apaixonada por ler biografias e assistir a filmes que contam histórias reais de pessoas que alcançaram o sucesso. E, invariavelmente, todas elas tinham um amor incomum por aquilo que se propuseram a fazer.

Uma história que me vem à mente é a do Sylvester Stallone. Ele era tão apaixonado pelo cinema e pelo projeto do seu filme “Rock, o Lutador” que vendeu tudo o que tinha para realizá-lo. Para conseguir o dinheiro suficiente para que ele mesmo pudesse protagonizar o filme que ele havia escrito, chegou a vender o próprio cachorro, que era o último recurso que lhe restava!

É o amor pelo negócio que vai fazer o profissional ter aquele algo a mais, investir mais do que somente dinheiro e tempo.

E se engana quem pensa que ter o próprio negócio é garantia de trabalhar menos. Muito pelo contrário, criar uma empresa prescinde de dedicação plena, muito foco e determinação.

Por isso, lembre-se: em um cenário de instabilidade, apenas os organismos mais qualificados tendem a permanecer, enquanto que os menos qualificados são facilmente levados pela crise. Não se esqueça de que, no início, você é praticamente a totalidade do capital intelectual de seu negócio. Cenário de crise, escassez de recursos, crédito caro e economia desacelerando vão exigir de você uma capacidade acima da média, para que o seu negócio cresça (enquanto muitos diminuem).

Garanta, pois, que o seu produto seja bom o suficiente para competir com tantos outros que já estão no mercado e, ainda assim, tenha um diferencial que possibilite o crescimento de sua empresa.

 

Acredite em você e tenha resiliência

 Muita gente acha que, por eu ter uma situação econômica privilegiada e já ter uma carreira bem-sucedida na Apsen, as coisas são mais fáceis para mim! Claro que a questão financeira ajuda, mas, em um mercado como o que estou entrando agora, o editorial, onde sou uma total desconhecida, esses fatores não fazem a mínima diferença. Tomei muitas portas na cara, ouvi muitos “nãos” e tive de ter toda a resiliência do mundo para, em tão pouco tempo, conseguir colocar a minha empresa funcionando!

E acreditar no meu sonho e no potencial do que estou criando é o grande segredo! Por isso, se você não acredita no que está empreendendo, não perca tempo! Porque, se você não estiver muito certo daquilo que você quer, certamente no primeiro obstáculo vai desistir.

Porém, se realmente tiver fé em seu sonho, amor por aquilo que pretende fazer, arrisque todas as suas fichas e vá em busca do seu ideal!

No meu livro Do sonho à realização conto toda a trajetória que eu vivi para empreender, conto tudo em detalhes!

A burocracia é complicada, são muitos os impostos a pagar, há toda a dificuldade de conseguir vantagens nos bancos, capacitar funcionários e se destacar diante da concorrência é difícil? Sim, é! Mas é para todo mundo! E não é o que vai fazer com que você desista de seguir em busca do seu desejo.

O ponto de partida é sonhar. Dos sonhos e aspirações nascem as grandes ideias e realizações. Portanto, se deseja empreender, parta sempre de seus sonhos e crenças. Mas, logo em seguida, leve seus sonhos para a realidade e para uma análise fria do mercado. Se eles passarem por essa análise, lute para que sua empresa possa seguir em frente e caminhar em trilhas sólidas.

Pense grande sempre. Os resultados tangíveis e intangíveis serão também imensuráveis!

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Busque seu propósito. Deixe  seu legado.

Rê Spallicci