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Carreira

De pai para filho: como não transformar a sucessão em um problema para a empresa e para a família

Domingos Ricca, consultor especializado em assessoria de empresas familiares, dá dicas de como realizar uma sucessão sem sustos.

 12 de dezembro de 2016
6 min de leitura



Criar um negócio não é uma missão fácil. É preciso resiliência, competência, conhecimento, dedicação e muito, muito esforço. Não é à toa que as estatísticas mostram que 60% das empresas fecham suas portas nos dois primeiros anos, segundo dados do Sebrae.

E, quando o negócio vinga, há a tendência natural do fundador querer deixar aquilo que construiu para seus descendentes.  Muitos são os casos de sucesso de empresas familiares construídas por uma geração e perpetuadas por familiares que se sucedem na administração do negócio, sempre buscando manter a tradição, o reconhecimento e excelência da empresa.

Mas há também aquelas empresas familiares que, muitas vezes, atravessam problemas exatamente na hora de  passar o bastão.

É o que alerta Domingos Ricca, sócio diretor da Ricca & Associados, consultoria especializada em auxiliar empresas familiares no processo de sucessão. “Se o fundador tiver três filhos, e cada filho também tiver três filhos, na terceira geração serão nove herdeiros para dividir os lucros, lembrando que, na primeira geração, muitas vezes, era somente o casal para tocar os negócios e colher os frutos de seu trabalho.”

Porém,  esse é apenas um dos problemas. Segundo o consultor, outra questão complexa é a disputa pelo poder, ou a falta de preparo dos herdeiros para tocar os negócios. “Estes são os principais fatores de mortalidade dos negócios familiares”, complementa.

É por esses e outros fatores que as empresas familiares pedem uma atenção toda especial no momento da sucessão. Isso porque há a necessidade de se preservarem os valores e a cultura dos fundadores, mas também é fundamental estabelecer controles e ferramentas de gestão que permitam que a empresa se mantenha profissionalizada e que caminhe de acordo com as leis de mercado.

Para evitar que empreendimentos familiares construídos com muito esforço sofram mortes prematuras por problemas de sucessão, separamos algumas dicas, recomendadas por Domingos Ricca, que podem ajudar as empresas familiares a se perpetuarem de forma sólida e com uma administração eficiente. Confira:

 

A família e o profissional

Competência: ao tratar de negócios é preciso que haja a consciência profissional de que, para atuar em determinado cargo, é necessário ter capacitação suficiente para isso. Ou seja, a empresa não é uma extensão do lar, portanto, as relações devem ser profissionais, com cobranças de resultados, metas estipuladas e os cargos devem ser preenchidos por quem possui o perfil da vaga a ser ocupada (sendo o colaborador parente ou não).

 

Como realizar a sucessão

Preparação: assim como em qualquer outra empresa, o poder da administração não muda de um dia para o outro. Antes de trocar a liderança ou qualquer cargo, muitas avaliações e nomes são cotados para ocupar o lugar que será cedido para quem estiver mais de acordo com o perfil. Em uma empresa familiar, não pode ser diferente. É preciso dar tempo ao tempo. E é muito importante que o processo seja realizado na presença do fundador, pois ele exercerá o papel de mentor do seu sucessor. O sucessor deve possuir o perfil adequado para o cargo que irá assumir, bem como o da empresa (valores compatíveis).
Os pilares da sucessão

Palavra/Credibilidade: palavra é a única ferramenta que o fundador possui como forma de garantia quando funda seu próprio negócio. É na palavra que está concentrada sua credibilidade. É fundamental transferir esta noção para a geração seguinte, pois a confiança que os clientes e fornecedores depositavam no fundador, serão depositadas no sucessor.

Perseverança: Não desistir nunca, ter força em seus objetivos. Este é um dos segredos para o sucesso. O fundador enfrentou crises e problemas para estabelecer sua empresa no mercado, e essa experiência o sucessor deve conhecer, pois vai possibilitar que ele dê mais valor ao negócio familiar.

Liderança/Carisma: Estes pontos são os únicos que o fundador não consegue transmitir ao herdeiro, pois são características individuais e formadas de acordo com a trajetória de cada um. Resta ao sucessor traçar o seu próprio caminho e respeitar  seu estilo particular.

Cultura: A cultura da empresa está baseada naquilo que o fundador criou, e constitui a essência e os valores daquela pessoa. O sucessor deve entender e respeitar esses pilares e se adaptar à empresa, jamais o inverso.

 

Conflitos e Convergências

Ao mesmo tempo que pode haver uma harmonia muito positiva, provinda de uma mesma cultura que sempre foi transmitida pela família, carregando valores e princípios similares, existem desafios que a intimidade provoca.

Para evitar tal problema, é fundamental ter uma Governança Corporativa que, por meio de um Conselho de Administração, minimizará os conflitos, a fim de não pôr em risco a vida da empresa.

Seguindo essas dicas, certamente a sucessão será realizada de uma forma tranquila, proporcionando às empresas familiares a continuidade e a constante evolução dos negócios!

 

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Domingos Ricca é Sócio-Diretor da Ricca & Associados e da Revista Empresa Familiar. Consultor especializado em empresas familiares. Certificado em Governança Corporativa pela SQS Suíça e pela Fundação Vanzolini (curso realizado em Buenos Aires, Argentina). PhD em Administração, professor de graduação e pós-graduação. Autor de livros sobre os temas: Empresa Familiar e Marketing de Varejo.

 

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Rê Spallicci