Diversidade & Inclusão

Falando com as mãos

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Falando com as mãos

Ronaldo Tenório, criador do aplicativo que traduz o português para a Lingua Brasileira dos Sinais, é mais um Jovem Talento que mostra a força do empreendedorismo social no Brasil.

 15 de dezembro de 2015

“Entre ganhar dinheiro e ajudar o mundo, eu fico com os dois.” É assim que Ronaldo Tenório define sua opção feita há quatro anos pelo empreendedorismo social, mostrando que lucro e responsabilidade social podem, sim, caminhar lado a lado.

A trajetória vitoriosa de Ronaldo começou cedo. Logo no seu primeiro ano de faculdade, havia sido premiado como Jovem Guerreiro, categoria para jovens talentos do maior e mais importante prêmio de criação de Alagoas, seu estado natal.

Ainda na faculdade, abriu sua agência de publicidade que, em alguns anos, também já tinha conquistado prêmios por diversas campanhas e recebido o reconhecimento do mercado.

Ideia colocada em prática

Assim, em 2012, aos 27 anos, Ronaldo já era um jovem de destaque. Mas uma ideia que ele havia tido na faculdade, continuava a visitá-lo frequentemente: um programa de computador para traduzir o português para a Língua Brasileira de Sinais, a Libras, comunicação utilizada pelos deficientes auditivos.

“Inicialmente era apenas um conceito, mas me animava muito por ser algo que poderia ajudar muita gente. Até que, em 2012, me uni aos meus amigos, e agora sócios, Carlos Wanderlan e Thadeu Luz, para inscrever o projeto em um importante evento de startups de Alagoas, a DemoDay AL. Nosso projeto saiu vencedor, recebemos um investimento e criamos naquele momento a Hand Talk”, relembra.

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Os sócios da Hand Talk Carlos, Thadeu e Ronaldo,  (crédito na foto: agência nalata)

Ronaldo vendeu sua agência para se dedicar ao novo projeto. Em julho do ano seguinte, o Hand Talk estreava nas lojas virtuais e um novo capítulo na vida dos três jovens começava a ser escrito.

O aplicativo é um tradutor mobile e dicionário de bolso gratuito, que converte, automaticamente, texto e áudio para a Língua de Sinais, por meio de um personagem virtual, o Hugo.

Hoje o app é destaque nas principais lojas de aplicativos no Brasil, com mais de 600 mil downloads, mais de 80 milhões de traduções realizadas e avaliação de 4,6 pontos em 5 possíveis. Além disso, por meio de uma parceria com o MEC, Ministério da Educação, também está presente em milhares de tablets na rede pública de ensino, facilitando a comunicação entre professores e alunos surdos.

“A gente percebeu a dificuldade que o público surdo tem em se comunicar com os ouvintes. E com o aplicativo podemos ajudar milhões de pessoas a quebrarem esta barreira”, revela Ronaldo.

De acordo com dados do CENSO 2010 do IBGE, o Brasil possui quase 10 milhões de pessoas com algum tipo de problema auditivo. Entre elas, há uma expressiva parcela que não compreende o português e depende exclusivamente da Libras para se comunicar. No mundo, esse número ultrapassa 360 milhões de pessoas.

Prêmios pelo mundo

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Com braços longos, mãos e cabeça grandes, Hugo foi totalmente pensado e criado para facilitar a linguagem corporal e facial.

 

Desde sua criação, empresa e aplicativo vêm conquistando destaque e recebendo prêmios no Brasil e no exterior. Entre cerca de  15 mil aplicativos em mais de 100 países, a solução foi eleita o melhor aplicativo social do mundo, no WSA-mobile, evento organizado pela ONU – Organização das Nações Unidas – realizado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Foi considerado também o projeto mais inovador do Brasil no Salão da Inovação da Rio Info (2012) e vencedor do Prêmio Empreendedor Social (2014) pela Folha de São Paulo Empreendedores Sociais de Futuro. E a Hand Talk foi escolhida a startup mais inovadora da América Latina na Qprize, Qualcomm Ventures (2014).

Recentemente, Ronaldo foi apontado pelo MIT – Massachusetts Institute of Technology como sendo um dos dez profissionais com idade  abaixo de 35 anos mais inovadores do Brasil. “Todos esses prêmios são muito legais por abrirem portas pra gente e para o nosso aplicativo, mas o mais bacana mesmo é o reconhecimento que recebemos das pessoas que o utilizam. Uma história que eu me lembro é de um pai que nos mandou um e-mail agradecendo, porque ele, finalmente, havia conseguido se comunicar melhor com o filho dele, um garoto surdo de 10 anos, e isso tinha melhorado muito a relação entre eles”, relembra Ronaldo.

Casado há um ano, apaixonado por futebol, esporte, natureza, e viagens, Ronaldo diz que, por conta do aplicativo, teve a oportunidade de viajar por todo o Brasil, unindo sempre trabalho e realização pessoal.

“Empreender no Brasil é muito complicado e, na área social, ainda mais. Por isso, é preciso paixão pelo que se faz, resiliência e persistência nos seus objetivos, porque pode ter certeza que você vai encontrar inúmeras dificuldades no caminho. Mas tendo foco e objetivo, dá para chegar lá”, recomenda.

Para o futuro, os sócios pensam em aumentar o alcance do aplicativo. “Vamos ensinar novas línguas para o Hugo, para que possamos ajudar mais pessoas pelo mundo afora”, conclui.

Busque seu propósito. Deixe seu legado.

Rê Spallicci






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