Diversidade & Inclusão

Migrafix empodera e promove inserção de imigrantes e refugiados

Por meio de workshop culturais e gastronômicos, organização ajuda imigrantes e refugiados na construção de uma nova vida.

 11 de agosto de 2016
5 min de leitura

Migrafix - Inserção de imigrantes no mercado de trabalho!

Deixar tudo para trás. Seu país, sua casa, suas raízes e origens. Ir para um pais desconhecido, sem praticamente nada, apenas com a esperança de uma nova vida e o alivio de ter escapado vivo de uma situação extrema de guerra. Essa infelizmente é a história comum de milhões de refugiados que vivem por todo o mundo tentando reconstruir suas histórias após conhecer de perto o que a humanidade tem de pior.

O número de pessoas deslocadas por motivos de conflitos e perseguições em todo o mundo chegou a 65,3 milhões no final de 2015, de acordo com um relatório da ONU lançado no dia 20 de julho, quando se celebra o Dia Mundial do Refugiado.

É a maior crise humanitária desde a 2ª Guerra Mundial. Segundo a agência da ONU para refugiados (Acnur), uma em cada 113 pessoas no mundo é refugiada, requerente de asilo ou deslocada interna.

O relatório indica que o Brasil abrigava 8.707 refugiados em 2015. Dados mais atuais do Comitê Nacional de Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça, indicam que o país abriga 8.731 refugiados de 79 nacionalidades diferentes.

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E foi pensando nessas pessoas que Jonathan Berezovsky fundou o Migraflix, uma organização que tem como base o compartilhamento de cultura entre quem chega ao país e os brasileiros. Argentino e neto de poloneses que também se refugiaram no passado, Jonathan sempre foi muito preocupado com a situação dos refugiados e, ao morar em Israel durante um período de sua vida teve sua primeira experiência em trabalhar no auxílio a essa população. “Lá trabalhávamos oferecendo micro crédito para que essas pessoas pudessem ter um início em uma nova vida”, comenta.

Ao se mudar para o Brasil, Jonathan quis continuar o seu trabalho, mas por questões jurídicas do País não conseguiu estabelecer o mesmo modelo que fazia em Israel. Foi então que surgiu a ideia do Migrafix.

“Quando chegam ao Brasil, a língua e o processo de validação de diploma, por exemplo, dificultam a inserção de muitos refugiados e imigrantes no mercado de trabalho. Com a Migrafix oferecemos uma oportunidade de empoderamento econômico e social dessas pessoas que podem se inserir na sociedade contando um pouco do que sabem e compartilhando conosco suas culturas”, explica.

O Migrafix organiza workshops com imigrantes, seja de atividades gastronômicas ou culturais, para que os imigrantes e refugiados ensinem algo para os participantes do encontro. Pode ser um curso de comida típica, dança folclórica, música etc. O valor cobrado pelo curso é revertido em 80% para o refugiado e 20% fica para custear a manutenção do programa, já que o Migrafix não tem fins lucrativos.

Segundo o fundador da Organização, os workshops podem ser realizados também em empresas. Recentemente,  uma empresa de Recursos Humanos contratou a Migraflix para conduzir uma atividade com CEOs de empresas FINTECH – organizações que criam inovações na área de serviços financeiros, com processos baseados em tecnologia. “O objetivo deste workshop não foi o de aprender a cozinhar, mas o desenvolvimento de competências tais como resiliência, adaptabilidade e integração, tendo como pano de fundo a experiência do instrutor Talal Al-Tinawi, refugiado sírio”, revela.

Perfil dos refugiados

O perfil dos refugiados que ministram os cursos é bastante variado. Talal Al-Tinawi nasceu em Damasco e chegou com a família a São Paulo há pouco mais de dois anos. Engenheiro mecânico, teve que deixar a Síria por causa da guerra civil. No Brasil, com dificuldade em revalidar o diploma, começou a vender comida árabe por encomenda e hoje tem um restaurante no Brooklin.

Já Bouteina Sakhi, que nasceu em Casablanca, no Marrocos, e vive há um ano em São Paulo, é chef de cozinha com experiências na França e no hotel Sheraton Casablanca. Seu maior sonho é dar continuidade à carreira que começou a construir na terra natal. Fluente em quatro idiomas, Bouteina também dá aulas de culinária libanesa, maquiagem à moda árabe e dança marroquina.

E assim como esses dois professores, a Organização conta com argentino professor de tango, peruanos especializado em ceviche e muitos outros cursos. Mas além dos temas tratados “oficialmente”, quem participa das atividades conhece de perto características de países distantes. Quem faz um curso com o Migraflix logo percebe a importância de receber com carinho a sabedoria do outro e o quanto essa relação pode enriquecer nossa própria cultura.

“Acreditamos que ao dar a essas pessoas a possibilidade de serem vistas e de contarem suas histórias, estamos as ajudando na reconstrução de suas vidas e a quebrar barreiras de preconceitos que por vezes podemos ter”, ensina Jonathan.

Mais do que aulas de culinária, dança ou música, os cursos do Migrafix são uma verdadeira lição de vida!

Se quiser conhecer mais sobre o projeto acesse: www.migraflix.com.br  e siga a página no Facebook para saber a programação dos workshops.

 

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Rê Spallicci








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