Diversidade & Inclusão

Protagonismo Feminino

Acompanhei uma reunião do Grupo de Mulheres que busca soluções propositivas para o Brasil e compartilho minhas impressões com vocês!

 4 de julho de 2017
9 min de leitura

Carreira- Protagonismo feminino

O assunto do protagonismo feminino é algo que sempre me atraiu, e eu realmente acredito que, cada vez mais, nós, mulheres, temos de nos unir em busca da igualdade de direitos.

Nesse sentido, há tempos me interesso pelo Grupo Mulheres do Brasil, um coletivo criado em 2013, com o objetivo de discutir temas ligados ao Brasil. Composto por mulheres de vários segmentos, que têm em comum o propósito de serem protagonistas na construção de um país melhor, o Grupo tem uma agenda propositiva com planos de ação para pensar e agir nesta direção. O grupo não tem partido, apenas levanta a bandeira de uma causa: o Brasil.

Recentemente, em 22 de junho, eu tive oportunidade de participar de minha primeira reunião desse Grupo, quando pude conhecer melhor os seus princípios e formas de atuação, e fiquei realmente bastante entusiasmada.

 

Valores inegociáveis

Carreira - Veja mais sobre o protagonismo feminino

O que me chamou atenção logo de cara, em relação ao Grupo, foram os valores apresentados por ele, algo considerado inegociável para as participantes da iniciativa. São eles:

Grupo mulheres do Brasil

Tendo como líder a Luíza Trajano, do Magazine Luíza, o Mulheres do Brasil se reúne frequentemente e atua em comitês que cuidam de assuntos diversos, como combate à violência contra a mulher, iniciativas culturais, educação, empreendedorismo, mulheres executivas, igualdade racial, inserção de refugiados, projetos sociais e na área da saúde, entre outros.

 

O Brasil que queremos

O Brasil que queremos

A reunião da qual eu participei foi um encontro geral realizado anualmente, que nessa oportunidade apresentou o tema “O Brasil que queremos”, e que contou com a participação dos convidados Betania Tanure e Prof. Francisco Teixeira.

Colunista do Valor, doutora em administração, professora da PUC Minas Gerais e consultora da BTA, Betania Tanure faz uma análise superinteressante da cultura brasileira. Segundo ela, estamos sedimentados sobre três pilares. O primeiro deles é a presença de um povo relacional e afetivo, que, conforme ela definiu, tem um “lado luz e um lado sombra”. O lado luz é a nossa característica de uma população receptiva, que se relaciona com facilidade com todos, e o lado sombra é o famoso “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. Ou seja, essa nossa característica acaba proporcionando nepotismos e até mesmo a crise ética que estamos vivendo nesse momento.

O segundo ponto que ela destaca é a flexibilidade da nossa população, o que nos proporciona particularidades, como criatividade, facilidade do improviso e de adaptação a diferentes realidades, o que é extremamente positivo, mas que se reflete também de forma negativa no famoso jeitinho, em uma esperteza que beira a desonestidade, a indisciplina e práticas não republicanas, a exemplo das que temos acompanhado diariamente nos noticiários políticos.

E, por fim, o terceiro pilar da nossa cultura seria a forma como lidamos com o poder. Somos insubordinados e não respeitamos muito hierarquias, o que acaba nos levando a uma ausência de protagonismo. Segundo Betania, este seria o principal fator, a causa da crise que vivenciamos hoje. Isso porque não nos responsabilizamos pelo nosso papel de cidadãos, tendemos a delegar aos outros nossas responsabilidades, não assumimos nossas culpas. Assim,  não somos protagonistas em nosso próprio país!

Aqui até me permitam fazer um parênteses para comentar um sentimento curioso que eu vivi nessa reunião. Ao início do encontro, todas cantamos o Hino Nacional e, há tempos, eu não entoava o nosso hino com tanta emoção. E, ao ouvir a análise da Betania, eu pude entender aquele sentimento que havia me tomado naquele momento.  Estar no meio de pessoas com os mesmos princípios, valores, e sabendo que ali estamos construindo realmente algo importante, muda a perspectiva de tudo e até a forma como entendemos o nosso País, e a nossa responsabilidade perante  ele passa a ser vista de outra forma. Ou, seja, a forma como eu cantei o hino foi a de alguém que estava se sentindo como protagonista!

Vamos falar sobre inveja entre as mulheres e sororidade?

Não deixe de conferir clicando aqui!

Diariamente observo pessoas que não vivem, mas apenas sobrevivem. Contam os dias, as horas e os minutos que faltam para a hora do almoço, depois para o fim do expediente, para a sexta-feira, e estão somente preocupadas em pagar seus compromissos no final do mês. Mas será que é só isso que devemos buscar? Por que não assumir responsabilidades ante nosso bairro, nossa cidade, nosso País? Será que não podemos dar um pouco mais para o bem comum? Será que não podemos ser protagonistas?

Estando ali no meio daquelas mulheres superocupadas, mas que arrumaram um tempo para lutar pelo bem-estar de todos, pelo melhor do nosso País, eu me senti extremamente orgulhosa e esperançosa de que dias melhores virão!

E é nisso que a Betania também acredita. Para ela, não devemos mudar nossa cultura, mas simplesmente usar somente o lado luz de nossas características! Ela acredita que estamos passando por um profundo processo de mudança em nossa sociedade e, depois de enfrentarmos esse sentimento de terra arrasada e de caos como o que estamos vivendo, teremos a construção de projetos de longo prazo para o Brasil.  Mas para isso precisamos entender que esse é o momento de nos decidirmos sobre as causas pelas quais  devemos lutar e o que merece contar com o nosso engajamento. E a partir daí, assumir nossas responsabilidades. Não adianta ficarmos só jogando a culpa das nossas mazelas no poder público… Afinal, o que temos na política é um reflexo do que somos e só mudaremos isso quando assumirmos nosso protagonismo!

 

Quando nossas vozes se unem

Conheça mais sobre o protagonismo feminino

Para terminar este artigo, eu vou compartilhar com vocês uma história supertocante que o outro palestrante do encontro, o Professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Francisco Teixeira, nos apresentou na reunião.

Em plena Alemanha Nazista, em uma rua no bairro Mitte de Berlim, um grupo de mulheres arianas descobre onde os seus maridos judeus estão presos, aguardando a deportação para os campos de concentração.

Com coragem, elas se posicionam em frente ao local, até que uma das mulheres desafia os guardas da SS e grita:

 

– Quero meu marido de volta!

A sua voz, inicialmente solitária, ganha novas adeptas. E logo um coro se forma:

– Queremos nossos maridos de volta!

Partindo inicialmente de poucas mulheres, logo o movimento vai ganhando força, e mais e mais mulheres, arianas e judias, se unem em prol dessa causa. Dezenas, centenas…

E, por mais inesperado que pareça, principalmente hoje, vendo em perspectiva e cientes dos horrores que o nazismo promoveu, a Gestapo solta os maridos, chegando até mesmo a buscar de volta alguns dos homens que já haviam sido transportados para Auschwitz.

Entre os historiadores, não existe consenso sobre se os judeus foram libertados em virtude da pressão das mulheres, ou se sua deportação não havia sido prevista e eles tinham sido detidos apenas para realizarem trabalhos na própria capital.

Mas esse acaba sendo um detalhe que não tem a menor importância, pois o que o episódio nos mostra é a força que nós, mulheres, possuímos, quando nos unimos por uma causa e por algo que amamos e em que acreditamos.

É isso que o Grupo Mulheres do Brasil proporciona e foi esse sentimento que carreguei comigo, ao sair de lá, e que me levará a participar mais ativamente dessa iniciativa. Juntas somos fortes e podemos mudar o mundo! Podemos começar somente com uma voz, mas, certamente, logo teremos mais e mais vozes também pedindo em coro pelas causas em que acreditamos e por tudo aquilo que pode transformar o Brasil em um país melhor, não somente para nós, mulheres, mas para nossos filhos, sobrinhos, irmãos, netos…

E você, em que causas acredita? Está pronta para assumir o protagonismo de sua vida e do nosso País? Esteja certa de que, ao assumir esta responsabilidade, você não estará sozinha!

 

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Busque seu propósito. Deixe  seu legado.

Rê Spallicci








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