ESG

Ballet Paraisópolis: um espetáculo de cidadania

Confiram as impressões de Renata Spallicci sobre o espetáculo apresentado pelo Projeto Ballet Paraisópolis no Auditório do Ibirapuera.

 17 de julho de 2016
5 min de leitura

Ballet

Nesse último sábado eu passei por uma experiência in-crí-vel! Acompanhei de pertinho a preparação e o espetáculo do Projeto Ballet Paraisópolis, que aconteceu no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo.

Como já falei em outras matérias aqui do site, o Projeto Ballet Paraisópolis é formado por crianças e jovens (com idade entre 8 e 16 anos) da segunda maior comunidade de São Paulo, dirigidos pela minha amiga e mestra do ballet e da vida, Monica Tarragó (leia as demais matérias sobre o projeto nos links abaixo).

E posso dividir meu sentimento sobre esse lindo espetáculo em dois grandes momentos: a apresentação propriamente dita, que é o que esteve aos olhos de todos os presentes, e o backstage que eu tive a honra e oportunidade de acompanhar.

Sobre a apresentação, só há uma palavra para descrever: espetacular! Impressionante a técnica dos bailarinos e o quanto se desenvolveram em apenas quatro anos de curso. Todos com muita qualidade técnica, talento e uma alegria no rosto que transbordava para quem  assistia! Realmente um espetáculo de altíssimo nível.

E o “lado de dentro” do espetáculo, aquele que acontece na coxia e nos bastidores, só dá ainda mais força para o resultado que vemos no palco. Todas as meninas são extremamente disciplinadas, focadas, e a Mônica, seu marido Jorge, seu filho Jorge e todo o time do projeto são verdadeiros heróis por conduzir tudo aquilo com tamanho amor e profissionalismo.

Como tenho um passado muito forte como bailarina, foi uma delícia poder chegar mais cedo e acompanhar toda a preparação das meninas.  Ajudei-as  a se maquiar, dividi experiências com elas e me emocionei ouvindo relatos, tanto das crianças como de alguns pais que me contaram o quanto o projeto está fazendo bem para esses jovens.

renata-ballet23b

Um momento que me deu a verdadeira dimensão do trabalho mágico que a Monica desenvolve foi quando eu estava ajudando uma das meninas a colocar os cílios postiços e lhe contei  que foi também com a Monica, que foi minha professora na infância, que comecei a colocar cílios postiços. E comentei que, à época, minha mãe me ajudava a me maquiar, bem como minhas amigas. Ao que ela me confidenciou.  “A minha mãe não sabe nem se maquiar, como ela poderia ensinar a gente?” Foi então que,  mais uma vez, tive a certeza do excelente trabalho realizado pela Monica, que vai muito além do ballet: ela está dando a esses jovens uma oportunidade de educação, disciplina, delicadeza e de futuro que, infelizmente, elas não teriam, se não fosse por meio do projeto.

A Monica pega essas garotas como verdadeiros diamantes brutos e as lapida, não apenas para serem dançarinas, mas para serem melhores pessoas e profissionais, seja para que carreira escolherem seguir no futuro. Eu acredito muito no esporte e na arte como meio de transformação e saber que isso está sendo feito por uma pessoa como a Monica me dá ainda mais certeza de que esses jovens terão um futuro diferenciado e brilhante pela frente.

O que me causa um pouco de aflição é saber que, enquanto a Monica atende a 300 crianças, há mais de 1000 crianças na fila, esperando por uma vaga, uma oportunidade, e que a expansão do Projeto esbarra na falta de recursos e patrocínio. Por isso, sempre que posso, faço questão de divulgar, compartilhar e falar sobre este projeto!

Nesse dia 16 de julho, elas subiram ao palco para apresentar o espetáculo Dançando com a Alma, como mostra do trabalho realizado durante quatro anos de curso. Composta de um divertissement , com 24 coreografias nas modalidades dança contemporânea, ballet clássico e de repertório, e neoclássico, a apresentação teve ainda a participação das bailarinas convidadas Isabella Rodrigues (São Paulo Companhia de Dança) e Sofia Tarragó (Pavilhão D), que é filha da Monica.

Quem sabe não conseguimos mais “loucos” como a Monica para abraçarem esta causa e ajudarem a dar uma vida mais cidadã para essas crianças.

A tarde que passei com elas foi incrível e tenho a convicção de que estarei sempre próxima, apoiando e divulgando este belo projeto! Afinal, são iniciativas como esta que transformam não só perspectivas de vida, mas também sonhos em realidade!

 

Leia também:

Dançando para a vida: conheça o Projeto Ballet Paraisópolis

Entre sapatilhas, polainas e confidências

Dos palcos para as academias 

Busque seu propósito. Deixe  seu legado.

Rê Spallicci