ESG

Feiras de trocas de roupas e brechós dão nova cara ao consumo consciente

A prática do Consumo Consciente depende de cada um de nós. Conheça a iniciativa de pessoas que estão contribuindo para um consumo com mais responsabilidade.

 7 de abril de 2016
8 min de leitura

Feiras de trocas de roupas e brechós dão nova cara ao consumo consciente

Em tempos de mudanças e de maior conscientização em relação aos nossos hábitos de consumo, trocar roupas, em vez de comprá-las,   pode ser uma boa pedida para colocar em prática os 5 R’s do consumo responsável: refletir, recusar, reutilizar, reduzir e reciclar.

E é por isso que cresce cada vez mais o número de bazares de trocas e eventos que visam promover o reaproveitamento de roupas que foram descartadas por uma pessoa, mas que podem ser o objeto de desejo de outras.

O fato é que todas nós já passamos por essa experiência de trocas, seja quando pequenas, usando aquele vestidinho herdado da prima mais velha, ou até mesmo fazendo trocas de peças entre amigas.

As chamadas clothing swap parties (ou festas de troca de roupas, em português) são mais comuns fora do país, mas, à medida que a expressão consumo consciente é repetida no Brasil, esse tipo de evento se multiplica por aqui. Em geral, bazares de troca acontecem entre amigas, na casa de uma delas, e consistem em levar peças em bom estado, que já não são mais usadas, ganhar “créditos” por elas e trocar por outras. Uma ideia que poupa o bolso e o meio ambiente ao mesmo tempo.

Mas, ultimamente, essa prática vem saindo dos quartos das amigas e vem se tornando uma nova forma de consumo e até mesmo de diversão. E foi para fomentar este movimento que duas amigas, a designer paulistana, Maitê Hotoshi,  e  a digital marketer, Evelise Biviatello, criaram o Trocaria, um projeto que nasceu com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre o consumo consciente e de propagar essa prática, por meio de bazares de trocas. “Nosso objetivo é promover um novo olhar sobre o consumo da moda, por meio da troca e da prática do reúso, e fazemos isso através do blog,  de nossas redes sociais e dos bazares de troca”, comenta Evelize.

Hoje, o Trocaria conta com três pessoas dedicadas ao projeto, mas explorando o conceito de colaboratividade ao máximo. O grupo conta com cerca de 25 amigos-colaboradores, das mais diversas áreas (designers, jornalistas e programadores, entre outros) que auxiliam durante os bazares de troca. “Nosso primeiro evento contou com  250 pessoas, aproximadamente,  e tivemos mais de mil peças trocadas, e outras duas mil doadas. A segunda festa de trocas já contou com 350 pessoas, mais de três mil peças trocadas e outras duas mil doadas”, conta a fundadora do projeto.

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Para elas, o consumo consciente está mudando a lógica de consumo, que agora passa a ser pautada na redução, reúso e colaboratividade. “Acreditamos que, com algumas mudanças de hábitos, conseguiremos quebrar alguns paradigmas que ainda estão enraizados na nossa cultura e consumir de forma mais responsável.”

De alguma maneira, o consumo consciente depende tanto dos consumidores tomarem ações para avaliar o pré e pós-consumo, como também dos players do mercado em garantir processos mais transparentes, justos e sustentáveis. Não podemos esquecer que fazemos parte de um todo, e que as nossas ações interferem no meio em que vivemos.

“A nosso ver, não existe nada de errado com o consumo – o problema está no consumo compulsivo. Mas, felizmente, o mundo está despertando para novas formas – menos nocivas – de consumir, como a economia colaborativa”, completa Evelize.

Brechó moderno

Paula Barreto sempre curtiu trocar ou vender, pela internet,  roupas que não usava mais,  até que teve a ideia de transformar aquele seu gosto em  negócio. “Desde 2008, eu fazia vendas de desapegos pela internet, que saíam direto do meu guarda-roupa para o Brasil inteiro. Eu fotografava as peças, publicava em sites de venda on-line e, quando vendia, dava uma taxa considerável ao site. Apesar do baixo retorno, eu peguei gosto pela coisa e foi crescendo o interesse de me envolver mais com o público. Eu achava essa relação de compra e venda fria, e já que se tratava de peças minhas,  tinha um carinho por elas, além  de uma  história especial para estarem ali. Daí, veio a ideia de tornar o brechó em algo físico, que me permitisse ter esse contato direto com as pessoas.” Nascia o God Save The Vintage, um brechó itinerante que vende roupas de qualidade, que as pessoas não usam mais, por um preço bem mais convidativo.

Segundo Paula, a cada dia, mais pessoas quebram o preconceito de usar roupas de segunda mão e começam a entender que essa prática é uma forma inteligente e consciente de consumo. “Sempre ressaltamos que nossas roupas são novas, muitas ainda com etiquetas. Não apresentam defeitos e nada do tipo. Muitas roupas que temos são aquelas de  que, por exemplo, caiu um botão, e por falta de tempo ou dotes de costura, alguém descartou. Eu pego e coloco o botão. Pronto, temos uma blusa nova e linda, pronta para ser utilizada novamente. É isso que queremos mostrar, que aquilo  que para um não tem mais utilidade, para outro pode ser uma peça única, que se destaca das outras peças feitas em produção em série, iguais em todas as vitrines do shopping (e por preços que não correspondem à qualidade). O nosso público vai desde jovens, que apoiam a causa, até senhoras adoradoras de brechó. Não dá para limitar, tem de tudo. Já vendi muita calça feminina minha para homens, já vendi camisetas supermodernas para senhoras de idade. Esse é o mais bacana, quando a gente possibilita a compra, sem criar departamentos, como nas lojas. Tudo cria uma nova possibilidade, uma reinvenção. E sem dizer que, no fundo, todo mundo gosta de moda, do diferente e, principalmente, de economizar”, revela.

Assim como o Trocaria,  o God Save The Vintage também tem  planos de fazer um evento só de trocas. “Nós vemos todas as propostas de consumo consciente como uma resposta positiva para o futuro. A intenção é ajudar a ampliar essa cultura, usando as mídias sociais, ocupando espaços com as feiras, conhecendo gente e propagando cada vez mais esse costume”, explica Paula.

 

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De acordo com Paula, ao estimular as trocas e a economia colaborativa, abre-se um leque de possibilidade de consumo que muita gente não consegue ter com o consumo em série. “Muitas vezes. temos que escolher entre comprar uma coisa ou outra em um mês. Com essa nova modalidade de consumo, podemos alcançar o que precisamos, facilmente, e dar acesso a todos para encontrarem aquela roupa que é um verdadeiro ‘achado’. Os eventos que fazemos não são apenas  uma forma fria de comércio, mas sim, de encontros culturais, de trocas de bens materiais e de experiências.”

E práticas como as criadas pelo Trocaria ou God Save the Vintage são pra lá de bem-vindas. Uma pesquisa do Waste & Resources Action Programme mostrou que famílias do Reino Unido possuem em média £4,000 em roupas, e 30% delas não são usadas regularmente. Ainda segundo esse estudo, um terço das roupas que compramos anualmente acaba em aterros sanitários, o que não é bom sinal do ponto de vista econômico (afinal, é dinheiro jogado fora), e muito menos no sentido da sustentabilidade.

Depende de nós mudarmos nossos hábitos de consumo, deixando as compras por impulso de lado e fazendo escolhas conscientes que se encaixem no nosso orçamento e, ao mesmo tempo, de uma maneira que impacte menos o meio ambiente.

E você, tem consumido com consciência? Então, que tal organizar uma clothing swap party entre suas amigas?

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Rê Spallicci








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