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Parque Burle Marx: um oásis no meio da selva de pedra

Um lugar de verde e de paz no meio do cinza paulistano. Esse é o Burle Marx, único parque municipal de São Paulo administrado por uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP)

 30 de julho de 2016
5 min de leitura

Parque Burle Marx- um oásis no meio da selva de pedra

O Parque Burle Marx é o único em São Paulo que não é administrado pela Prefeitura da cidade, mas sim, por uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), a Fundação Aron Birmann. Modelo de gestão bastante comum na Europa e Estados Unidos, o estabelecimento de uma Parceria Público Privada (PPP) para a gestão de parques não é usual na cidade de São Paulo, e o Burle Marx está na vanguarda nesse modelo, desde sua fundação.

“A Fundação Aron Birmann é a única instituição privada sem fins lucrativos que busca alcançar a autossuficiência econômica de um parque municipal em São Paulo, permitindo, assim, que a Prefeitura reinvista a verba que seria destinada ao Parque Burle Marx em outros setores da cidade, como saúde, transporte, educação, etc”, explica Marcelo Faria, representante da Fundação.

Desse modo,  o parque depende de doações e eventos, a fim de  conseguir os recursos necessários para sua conservação e segurança, o que faz com que  seja sempre repleto de ações interessantes e de novidades.

Recentemente, por exemplo, o Parque iniciou o projeto Festival Gastronômico do Parque Burle Marx que reúne, no espaço destinado a piqueniques nos fins de semana e feriados, uma variedade de opções de alimentação e entretenimento para os frequentadores. O local é coberto pelas copas das árvores e, por ter mesinhas com bancos fabricados com  reaproveitamento de troncos,  se torna perfeito para um lanche, um almoço ou mesmo para uma bebida refrescante no meio da tarde.

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De forma intimista, os food trucks, food bikes e carrinhos de sorvete são organizados para atender a todas as demandas e gostos. Com a ideia de ter sempre uma variedade  de pratos com carne, vegetarianos, massas, peixes e sobremesas com doces ou sorvetes, parte da renda é revertida para manutenção do parque.

Outra iniciativa bacana é o Amigos do Parque. Pela ação, qualquer pessoa pode ser um doador de recursos para o parque e, em contrapartida, recebe a carteirinha do programa que propicia ao doador descontos em estabelecimentos de empresas parceiras, como Amor aos Pedaços, Onodera, Piolla, entre outros. “É uma parceria  ‘ganha-ganha’, porque as pessoas têm incentivo para ajudar na conservação do parque, e as empresas, incentivo para conceder descontos em seus produtos e serviços, pois recebem em troca  divulgar a Fundação para potenciais clientes do bairro”, explica Marcelo.

História

Localizado na zona sul de São Paulo, o Parque Burle Marx surgiu de forma diferente.  O arquiteto-paisagista Roberto Burle Marx criou o projeto artístico e paisagístico do parque, especialmente para integrar os jardins de uma casa projetada por Oscar Niemeyer, na década de 1950. A casa nunca foi concluída ou habitada e, nos anos 1990, foi demolida. Em 1995, os jardins foram aproveitados para dar lugar ao parque.

Como a proposta do parque é mais contemplativa, o jardim de Burle Marx é a principal atração, com suas palmeiras imperiais, um conjunto de esculturas do painel de altos e baixos relevos, espelhos d’água, além de um belo pergolado e um gramado de duas cores que imita um tabuleiro de xadrez.

Outro destaque é a Casa de Taipa e Pilão, que representa um processo milenar de construção que foi trazida pelos portugueses e é bastante significativo por seu valor histórico-cultural.

A flora do local é composta por espécies remanescentes da Mata Atlântica e do reflorestamento de eucaliptos e possui áreas ajardinadas onde se destacam espécies como palmeiras, andá-açu, marinheiro, pau-brasil, abacate e palmeiras imperiais.

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Já a fauna é formada por mais de 90 espécies de animais, algumas aquáticas, como socozinho, savacu, martim-pescador-grande; outras aéreas, como o gavião-peneira e o pavó, que está na lista de espécies ameaçadas de extinção, e também alguns animais terrestres, como o gambá, o preá e o lagarto teiú.

Atualmente, o parque conta com uma área de 138 mil metros quadrados, e abriga pistas para cooper e caminhada, três trilhas que circundam os lagos e levam o usuário a uma verdadeira experiência sensorial dentro da mata, e ainda  barras e pranchas para ginástica, playground, nascentes e lagos.

Nos finais de semana, o parque recebe, em média, 2 mil visitantes aos sábados e cerca de 3 mil aos domingos.

Iniciativas como a da Fundação Aron Birmann são um exemplo de como podemos melhorar a gestão de nossos espaços públicos, unindo comunidade, iniciativa privada e poder público em prol da melhoria para todos.

 

Busque seu propósito. Deixe  seu legado.

Rê Spallicci








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