Fitness

Entre números, corridas e pedaladas

A economista e triatleta Flora Meirelles conta como consegue conciliar a vida em um grande banco com a rotina dura de treinamentos.

 21 de novembro de 2015
6 min de leitura

Entre números, corridas e pedaladas

Na correria em que se vive nas grandes cidades, conciliar a agenda profissional e pessoal já é um grande desafio. Imagine, então, somar a isto uma atividade esportiva que exige muito esforço e dedicação. É exatamente esta a realidade da economista e atleta Flora Meirelles.

Flora trabalha no banco Itaú como economista, sendo responsável por fazer análises dos cenários econômicos e traçar estratégias de investimento para clientes de alta renda.

Mas é em outros cenários que Flora tem seus maiores desafios. Além de economista, ela é triatleta e tem uma rotina pesada de treinamentos.

O Triathlon surgiu na vida de Flora quase que por acaso, no ano de 2008. Atleta de provas de longa distância, ela já havia participado de quatro meio-maratonas, quando descobriu que tinha um edema ósseo na canela e precisava ficar três meses sem correr. Para quem já foi mordido pelo “bicho” da endorfina, ficar fora de combate é algo que não se pode nem pensar e, por isso, Flora optou por usar aqueles três meses para praticar outros esportes: a natação e o ciclismo. “Comprei uma bicicleta usada de um amigo e comecei a ir à USP de madrugada, já que naquela época não existia a ciclovia. Foi difícil começar a pedalar. Eu até peguei uma pneumonia, em virtude da queda de resistência em meu organismo. A rotina era dura. Acordava às 4h30 e depois trabalhava o dia inteiro”, relembra.

Se não bastasse a pneumonia, já recuperada da doença, ela levou um tombo sério, bateu a cabeça e desmaiou. “Mas nada além disso aconteceu, e eu insisti”, comenta.

Após esse começo complicado, Flora se animou com as três modalidades e resolveu investir com tudo no Triathlon. E para ajudar, seu marido é também praticante do esporte, o que torna tudo um pouco mais fácil. “Conseguimos treinar juntos, fazer viagens de esportes e ter o mesmo ritmo de vida”, explica.

E este ritmo de vida é para deixar muita gente de língua de fora. Flora treina todos os dias, independente de ter alguma prova marcada ou não. “Quando tenho um objetivo de prova, os treinos se intensificam”, comenta.

Ela prefere treinar o máximo que pode pela manhã. Acorda todos os dias às 5h15. Às terças e quintas, pedala na ciclovia da avenida marginal do rio Pinheiros por, no mínimo, uma hora e meia. Às segundas e quartas, nada das 6 às 7 horas e corre das 7 às 8 horas. “Às sextas, eu faço meu treino longo de corrida, cerca de uma hora e meia, dependendo da semana. Aos sábados, faço o treino longo de bike, que pode variar de 3 a 5 horas, e aos domingos, um treino de transição, com natação para bike ou nas três modalidades”, enumera.

Já se cansou, né? Pois é, mas ela ainda não acabou. À noite, Flora faz duas vezes por semana treinos funcionais para evitar lesões, além de treinos semanais de yoga. “Além disso, vou à fisioterapia uma ou duas vezes por semana na hora do almoço”, ufa!

Entre números, corridas e pedaladas

Para levar esta vida de atleta-economista, Flora conta que tenta não perder tempo do seu dia _à toa. “Deixo tudo organizado sempre na noite anterior. E acabo fazendo tudo correndo: maquiagem no carro, café da manhã na mesa do trabalho, almoço em dez minutos. Mas tenho que abrir mão de uma vida mais tranquila para conseguir fazer tudo que eu quero”, confessa.

Uma das coisas que a ajuda a conseguir manter esse ritmo louco é o fato de morar perto do trabalho e também dos lugares onde pratica esportes, evitando perder tempo no trânsito.

“E ainda eu consigo ter algum tempo livre à noite para ficar com o meu marido, sair com as minhas amigas ou ir à casa dos meus pais”, diz.

Segundo Flora, se há alguma coisa na sua vida que acaba ficando em segundo plano, são os cuidados com a beleza. “Isso acaba sendo a última prioridade. Quando sobra um horário livre na hora do almoço, eu encaixo uma manicure. Mas, muitas vezes, eu acabo com a mão por fazer. Um horror!”, se diverte.

Uma técnica é usar um shampoo anticloro, depois de nadar. “É o máximo que dá pra cuidar do cabelo. Por isso, foi ótimo quando resolvi mudar o visual e ter um cabelo mais curtinho.”

Em breve, Flora terá um importante desafio. Ela vai participar da prova “meio ironman” em Punta del Leste, Uruguai, no final de novembro. Será a sua quarta prova nesta categoria que consiste em 1.900 m de natação, 90 km de ciclismo e 21,1 km de corrida.

E para o ano que vem, a meta é ainda mais ambiciosa. “Vou criar coragem para fazer um ironman completo” (Ironman – 3.800 m de natação, 180 km de ciclismo e 42,2 km de corrida).

Para ela, todo esse sacrifício e agitação valem a pena. “No final, apesar da correria, tenho muito mais energia para trabalhar. O treino é uma espécie de meditação pra mim, e eu preciso disso para compensar o estresse do trabalho”, finaliza.

Busque seu propósito. Deixe seu legado.

Rê Spallicci