Gestão e Liderança

Aquecimento Vamos nos preparar

5 min de leitura

Pré-Aquecimento! Vamos nos preparar para o pós-crise!

Momento não deveria ser de cortes, mas de investimento e preparo para a retomada.

 3 de junho de 2021

Por: Milton Bragança

Durante a Copa do Mundo de 1954, uma seleção surpreendeu o mundo, devido a sua eficiência nos primeiros minutos dos jogos. Tratava-se da Hungria que descobriu uma vantagem sobre seus competidores, ao adotar o pré-aquecimento antes das partidas. A estratégia inovadora levou o time a uma inacreditável sequência de 31 partidas sem derrotas e, embora não tenha levado o título, quase surpreendeu a poderosa Alemanha Ocidental na final, ao marcar dois gols nos primeiros oito minutos da partida.

Hoje, nenhum time entra em campo sem estar “aquecido”, pelo menos para jogar partidas oficiais de futebol.

Mas em tempos de crise já sabemos qual a receita adotada por muitas das empresas: congelamento de contratações, redução de quadro, corte nas verbas de treinamento, além de várias outras medidas de contenção de despesas, visando atravessar estes tempos difíceis.

Justamente este é o verbo em que muitas empresas e profissionais não se concentram: “atravessar”. Pois bem, se sabemos e confiamos que isso tudo é uma fase, por que não encaramos essa travessia com outra abordagem? Talvez nosso pré-aquecimento para o que virá?

Há muito tempo, em outra crise que atravessamos, eu trabalhava em uma indústria e já me antecipei: comecei a avaliar nosso orçamento, identificar onde estariam as oportunidades de corte, quais os pontos para me preparar para a briga que viria, tentando defender os poucos investimentos que me restariam.

Quando o presidente da empresa me chamou para a conversa, já tinha tudo pronto: cortes nos treinamentos, posições a congelar, comunicados a serem enviados para a organização, renegociação com fornecedores, proposta de downgrade em benefícios, entre outros.

Para minha surpresa, a conversa seguiu rumo diverso:  O presidente me chamara para discutir um superplano de treinamento e desenvolvimento, focado em elevar o conhecimento técnico da nossa equipe, prepará-los para entender melhor nossa proposta de valor, conhecimento de segmentação de mercado, etc.

Não parou por aí… ele também me pediu para ver as vagas em aberto naquele momento. Aí eu respirei… Enfim o que eu estava imaginando… Porém não foi o que aconteceu. Ele também pediu para nossa área de aquisição de pessoas capacitadas  realizar um mapeamento dos principais talentos dos concorrentes e estudar uma abordagem mais agressiva para contratar essas pessoas.

Em algum ponto da conversa, eu não resisti  e perguntei o porquê dessas solicitações em plena crise.

A resposta que recebi, embora óbvia, me surpreendeu. Ele disse que a crise era momentânea, que todos fariam cortes, reduções, afetariam o engajamento das equipes e se protegeriam naquele momento, mas, na retomada, também teriam um considerável esforço para recompor os times, recuperar a motivação das equipes, capacitar os novos contratados e sair da inércia que aquele momento provocaria.

Ao contrário do senso comum, ele decidira seguir outro caminho e aproveitar aquele momento único e temporário, em que  teríamos capacidade ociosa, para investir fortemente na preparação do nosso time.  Assim, quando tudo estivesse superado, e a concorrência iniciasse sua retomada, nós estaríamos um passo à frente, aquecidos e em velocidade de cruzeiro.

Essa decisão se mostrou estratégica única e possibilitou um dos crescimentos mais acelerados em vendas, rentabilidade e engajamento da equipe que já vivi em minha carreira.

Infelizmente,  este caso foi único em minha carreira. No entanto,  refletindo sobre o momento atual e vendo muitas empresas seguindo a tradicional receita de como atravessar os períodos  de crise, eu acredito que existe uma nova oportunidade para aqueles que ousarem quebrar esse paradigma e enxergar o momento atual como um pré-aquecimento para os dias que estão por vir.

Tenho certeza de que os que encararem esta fase  como o início de um novo ciclo de crescimento e se anteciparem a ela, vão colher resultados grandiosos e sairão na frente de todos que se retraírem e decidirem esperar tudo voltar ao normal para iniciar o jogo novamente.

Um forte abraço a todos!

Milton Bragança

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Milton Bragança

Milton Bragança é especialista em planejamento estratégico de Recursos Humanos, com larga experiência em projetos de liderança e desenvolvimento. Atualmente é diretor de Serviços de RH America Latina na Kantar.




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