fbpx Renata Spallicci - mulheres corajosas– por que devemos abandonar o ideal de perfeição e buscarmos sermos mais corajosas.

RENATA SPALLICCI

Realização

23/01/2020

Busque ser corajosa e não perfeita

A importância da coragem para uma vida mais autêntica e feliz

6 min de leitura

Eu passei boa parte da minha vida em busca da perfeição. Ser a melhor bailarina, a melhor aluna, melhor filha, melhor líder, melhor, melhor, melhor! Afinal, foi isso que sempre nos foi ensinado, não é mesmo? Temos de ser melhores sempre! Mas melhores para quem? Melhores do que quem?

Nós, mulheres, fomos educadas para agradarmos às pessoas, para não balançarmos o barco, não sairmos dos padrões, enfim, para sermos perfeitas.

E pessoas perfeitas não erram, e, ao não errarem, não aprendem, não evoluem, não “criam casca” . Reshma Saujani, fundadora do Girls Who Code, e Heidi Grant Halvorson escreveram um artigo brilhante sobre o problema das garotas perfeitas. De acordo com Saujani, a busca da perfeição impede as mulheres de buscarem a coragem, e esse “déficit de bravura”, como ela chama, está no cerne da sub-representação das mulheres em muitas esferas da sociedade. Afinal, para ser corajoso é preciso atravessar limites, correr riscos e errar, algo que gera uma mentalidade de crescimento, resiliência, vulnerabilidade e autocompaixão, não permitidas às “mulheres perfeitas”.

Meninas “perfeitas” geram mulheres “perfeitas”

Observe: as meninas são frequentemente elogiadas por serem “inteligentes” ou “boas”, enquanto os meninos são, muitas vezes,  elogiados por “se esforçarem”. Como resultado, muitas meninas que recebem esse tipo de feedback desenvolvem uma mentalidade fixa – a crença de que a capacidade é fixa ou estática. Elas evitam desafios, tentam parecer inteligentes, desistem facilmente, se não puderem ser perfeitas na primeira tentativa, e consideram inútil o esforço adicional. Enquanto isso, meninos que são instruídos a continuar tentando, tendem a desenvolver uma mentalidade de crescimento – a crença de que a capacidade pode ser desenvolvida. Eles abraçam desafios, persistem durante contratempos e acreditam que, com mais esforço ou repetições, podem dominar uma tarefa.

Claro que nem todas as meninas têm mentalidades fixas, nem todos os meninos têm mentalidades de crescimento, mas uma pesquisa realizada nos Estados Unidos sugere que a maneira como os meninos e as meninas são elogiados, mais tarde, terão consequências na vida. As meninas param de levantar as mãos, porque não querem ser as únicas que não entendem ou têm dúvidas…  e deixam de correr tantos riscos.

E, se parássemos de exigir perfeição de nós, mulheres, e exigíssemos coragem?

Coragem requer resiliência

Resiliência é a sua capacidade de crescimento relacionado ao estresse. Ser corajoso e assumir bons riscos andam de mãos dadas com o desafio e o fracasso. A resiliência não garante que você seja bem-sucedido em todas as situações, mas sua capacidade de recuperação aumentará bastante, de forma que você mude para um comportamento adaptativo muito mais rapidamente, quando encontrar estresse ou um desafio. Pessoas resilientes toleram mudanças, estresse e incertezas, com mais eficiência do que aquelas com níveis mais baixos de resiliência, utilizam estratégias de enfrentamento mais saudáveis, são motivadas a alcançar objetivos em muitas áreas da vida e utilizam mais facilmente seus recursos e relacionamentos de alta qualidade com os outros.

Coragem requer autocompaixão e vulnerabilidade

É difícil coexistirem perfeição, autocompaixão e vulnerabilidade. O que acontece quando percebe que se decepcionou? Você muda automaticamente para a autocrítica e se derruba por perder o controle ou falhar? Muitas pessoas fazem isso, o que alimenta sentimentos de culpa e vergonha.

Em um estudo, os pesquisadores pediram a um grupo de mulheres que comessem um donut, dentro de quatro minutos,  e depois bebessem um copo de água para que se sentissem saciadas. Depois de comer o donut, algumas mulheres receberam uma mensagem de autocompaixão, incentivando-as a não serem tão duras consigo mesmas por se entregarem. O outro grupo de mulheres não recebeu essa mensagem. Na segunda parte do estudo, as mulheres foram presenteadas com tigelas de doces e foram convidadas a comerem o pouco ou o máximo de doces que quisessem. As mulheres que receberam a mensagem de autoperdão comeram apenas 28 gramas de doces, em comparação aos 70 gramas consumidos pelo grupo que não recebeu a mensagem.

Essa é a grande diferença! Como se viu, o autoperdão não deu a essas mulheres uma licença para comer mais; ao contrário, desligou o oleoduto de culpa e as impediu de comerem demais durante o desafio dos doces.

Talvez você esteja ainda buscando a perfeição! Eu lhe digo: esqueça! Perfeição não existe! Quando me libertei dessa necessidade que nos incutem desde muito cedo, descobri que felicidade e perfeição andam em pistas opostas.

Claro que continuo tentando ser sempre a melhor em tudo o que faço. Mas não a melhor dentro de um padrão de perfeição, mas a melhor na possibilidade de minhas vulnerabilidades e imperfeições. Para mim este é o sentido da vida: conhecer minhas fraquezas, aceitá-las e viver de forma plena com elas.

Quando aceitamos nossos defeitos, sentimos mais amor por nós mesmos e, só nos amando com nossos defeitos e imperfeições, é que nos permitiremos ser amados e teremos condição de nos conectarmos plenamente ao outro.

A cada dia me sinto mais feliz por encontrar meu caminho, por não ligar para o que outro pensa a meu respeito, por desafiar padrões e por buscar aquilo que diz a voz do meu coração e da minha essência. A cada dia sinto mais orgulho da mulher corajosa que me tornei e não sinto nenhuma falta da mulher perfeita que deixei para trás.

Por isso, seja você mesma sempre! Corra em busca daquilo em que acredita e não do que acha que esperam de você. Olhe-se sempre no espelho e admire suas imperfeições, do corpo e da alma, pois é o conjunto das nossas virtudes e defeitos que nos torna verdadeiramente únicos.

Coragem, mulher! Coragem!

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Rê Spallicci

Renata Spallicci

Atleta profissional fisiculturismo WBFF, executiva, empresaria, coach, influenciadora digital, escritora, palestrante motivacional e realizadora social fundadora do movimento Fit do Bem.

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