fbpx Mulher mecânica – conheça a história de Thaís Roland que abandonou tudo para seguir sua paixão pelos carros e ajudar as pessoas a entenderem mais sobre mecânica. - Renata Spallicci

RENATA SPALLICCI

Realização

28/06/2019

Coisas de meninos? Que nada!

Thais Roland é mecânica que dá dicas sobre automóveis e quebra paradigmas

Há uma coisa que me inspira: mulheres que quebram paradigmas e preconceitos, e que seguem o seu coração, independentemente do julgamento da sociedade. Afinal, eu, como uma fisiculturista, e até como executiva, também preciso ter minha dose de “rebeldia” para estar sempre nadando contra a corrente!

Por isso, me encantei quando conheci a história da Thais Roland, uma mulher que largou o mundo dos escritórios para seguir sua paixão e se tornar mecânica de automóveis!

Um amor desde a infância


Thais gosta de carros desde criança. Ela brinca que, quando era pequena,  até tinha bonecas,  mas que as usava para serem atropeladas pelos carrinhos… E esta paixão  acompanhou-a  por toda a vida, só que  ela não enxergava esta amor como uma possível profissão.

Por 15 anos trabalhou com infraestrutura de redes de computadores, até que começou a se cansar do seu trabalho. “O ambiente de escritório, as viagens, tudo. Sentia que precisava mudar de ares. Mas como não conseguia sair do trabalho, e sentia que tinha que mudar alguma coisa em minha vida, comecei a fazer o curso de mecânica do Senai. Uma amiga tinha me dito que era gratuito e eu fui conferir. Na minha cabeça, eu ia aprender mecânica, comprar um carro velho e mexer nele nos finais de semana pra me desestressar. Acabou que, na primeira aula de oficina, o céu se abriu, uma luz divina desceu, anjos cantaram. E percebi que era aquilo que eu queria. Depois de um tempo no Senai, mudou a diretoria na empresa onde eu trabalhava e fui demitida. Foi o empurrão que eu precisei pra mudar de vida. Comecei a estagiar em oficinas e nunca mais voltei para o escritório.”

Mesmo estando em um mundo essencialmente masculino, Thais conta que não sofreu preconceito por parte dos professores e alunos do curso, nem depois com seus colegas de trabalho.“Os professores, os alunos, os donos de oficinas e os colegas sempre me trataram muito bem e com muito respeito. O que eventualmente acontecia era um ou outro cliente, que não queria que eu mexesse no carro deles, por ser mulher. Além disso, tem a questão da força, que ainda pega de vez em quando. Temos muitas ferramentas que ajudam bastante no trabalho, mas, algumas vezes, ainda aparece alguma atividade que é pesada demais, e eu preciso pedir ajuda, o que não é nenhum problema também.”

O surgimento do blog

Ao trabalhar em oficinas mecânicas, Thais percebeu o quanto as pessoas desconhecem o assunto, o que as torna presas fáceis de mecânicos desonestos.

Por isso, Thais criou um blog sobre carros, que evoluiu para um canal no YouTube, o Coisa de Meninos Nada, no qual ela dá dicas sobre mecânica, faz análise de modelos e aborda tudo o que cerca o mercado automotivo. “Muita gente me escreve agradecendo pelas dicas, porque passou por alguma situação em que o blog ajudou, ou então me escrevem pedindo pra eu abordar determinados temas. Ainda tenho que lidar com preconceito forte, que é, na sua maioria, ofensivo e agressivo, mas acontece muito menos do que eu imaginei que aconteceria. E, no final das contas, é só eu dar mais atenção pra quem eu estou ajudando e seguir com a minha vida”, comenta.

Segundo Thais, infelizmente alguns mecânicos criaram a fama de enrolar os clientes, e seu canal tem a missão de ajudá-los a fugirem desses maus profissionais, auxiliando  aqueles que agem com idoneidade.  “Qualquer um que não entenda o mínimo sobre seu carro pode passar aperto em oficina. Eu juro que não gostaria de ser “a mecânica que ajuda as pessoas a não caírem em golpes”, mas a realidade do nosso país é ingrata. Ao longo dos anos, os próprios mecânicos fizeram por onde pra conseguir a péssima fama que têm hoje;  então, é um trabalho de formiguinha pra quem é honesto limpar essa imagem. Com toda certeza, entender um pouco do assunto limita a ação de pessoas mal intencionadas, e o que eu sempre digo é: se você percebeu que o cara tentou te enrolar, não discuta, leve seu carro pra outro lugar e avise pra todo mundo que aquela oficina não é bacana.Com o tempo ele acaba sem clientes, e essa é uma punição muito mais eficiente do que um sermão seu que só vai te estressar.”

Atualmente, Thais não trabalha diretamente em nenhuma oficina, mas mantém uma rede de parceiros, e usa o espaço quando precisa. Além disso, e dos trabalhos com conteúdos digitais, ela também realiza palestras e workshops sobre o tema.

A maioria dos seus workshops é para um público exclusivamente feminino. “A ideia é sempre abordar Manutenção Preventiva e apresentar para as pessoas atitudes que vão ajudar a prolongar a vida do carro. Mostro peças, ensino sobre desgastes e boas práticas pra preservar componentes. E tiro dúvidas.”

E, certamente, além de ensinar mecânica, Thais é também uma inspiração para estas mulheres que percebem que não devemos nos impor limites. “Às vezes bate um medinho, porque é uma responsabilidade enorme você ser um modelo, e eu me assusto um pouco, mas é tão legal receber uma mensagem de uma garota que estava em dúvida sobre seguir a carreira e se decidiu porque viu que eu fiz e deu certo… Nossa, chego a chorar.”

Thais acredita que, mesmo com o crescimento do seu trabalho como palestrante e produtora de conteúdo digital, ela nunca var deixar de se sujar de graxa… “A oficina faz falta, é uma terapia. Vira e mexe estou mexendo nos nossos carros aqui em casa (tanto nos antigos quanto nos modernos) e, sempre que tenho a oportunidade de ajudar um parceiro, não penso duas vezes. Mecânica é encantadora, e eu não posso mais permitir que ela saia da minha vida”, finaliza.

E nós, mulheres, agradecemos a Thaís e a tantas outras que, diariamente, nos ensinam que não há limites para nossos sonhos, e que lugar de mulher é na oficina, na boleia de um caminhão, no futebol, enfim, onde a gente quiser!

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Rê Spallicci

Renata Spallicci

Atleta profissional fisiculturismo WBFF, executiva, empresaria, coach, influenciadora digital, escritora, palestrante motivacional e realizadora social fundadora do movimento Fit do Bem.

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