Saúde

Num piscar de olhos

Acostumada a enfrentar grandes maratonas, Deborah Aquino, a Debs, ficou “Num Piscar de Olhos” diante de um novo desafio em sua vida: a superação do câncer de mama.

 28 de outubro de 2015
5 min de leitura

Num piscar de olhos

Você já pensou como a sua vida pode mudar em um piscar de olhos? Um acidente, uma conquista, uma notícia, um diagnóstico. E foi exatamente este último caso que inspirou Deborah Aquino, a Debs, a dar este nome, ”num piscar de olhos”, ao livro que conta a sua história diante do diagnóstico de um câncer de mama.

Mas acho que estamos indo rápido demais, não é mesmo? Vamos voltar alguns anos no tempo?

Quando ficou grávida de sua filha Duda, há cinco anos, Deborah resolveu escrever um diário para que a sua filha, no futuro, pudesse saber sobre a sua gravidez. “Minha mãe fez isso para mim. Claro que, naquela época, em um diário escrito a mão. Eu pensei em modernizar este diário transformando-o em um blog”, relembra. Nascia o blog da Debs.

Mas há um fato sobre a Deborah que ainda não contamos e que é primordial para o desenrolar desta história. Deborah é uma apaixonada por corridas e corre há 12 anos.

Num piscar de olhos

 

Tão apaixonada que, mesmo grávida, ela corria rotineiramente. E foi exatamente em uma dessas corridas que um repórter do canal de esportes ESPN a abordou, convidando-a para ser personagem de uma matéria. O tema? Corrida e gravidez.

Deborah topou e mal sabia ela que isso ia transformá-la em uma blogueira famosa. “A matéria teve um alcance legal e, ao final, o repórter falou o nome do meu blog. Resultado: comecei a ter um monte de seguidores. As pessoas começaram a me perguntar sobre corrida, gravidez, e o blog tomou uma dimensão que eu não imaginava”, relembra.

Depois disso, a Duda nasceu… Debs passou por um perrengue para perder os quilos que ganhou no período da amamentação, mas chegou lá. E começou a se preparar para sua primeira maratona.

“O blog acompanhou todas essas fases, o nascimento da Duda, depois meu casamento, o emagrecimento, a preparação para a primeira maratona em que participei, em Berlim.”

E foi na volta de Berlim que tudo mudou. Deborah foi diagnosticada com um câncer de mama. “Foi um período muito difícil, e o blog começou a ficar meio de lado. Eu não queria ficar falando sobre doença e não tinha muito ânimo para escrever.”

Deborah passou pela cirurgia, pelas sessões de quimioterapia e duas coisas a ajudaram muito a se manter firme nessa dura trajetória contra a doença. “Minha filha e o esporte. Eu não queria que a Duda tivesse uma imagem de uma mãe doente na infância dela. Então, eu comecei a tentar criar uma fantasia para que ela achasse que tudo era uma grande brincadeira. Quando perdi meus cabelos, eu estava com muito calor, quando ficava com sono, eu tinha levado a picada da Bela Adormecida, e assim por diante…”, relembra.

E, se as histórias que ela contava para a filha a ajudavam a levar o tratamento de forma mais leve e positiva, o esporte alimentava seu corpo debilitado pela quimioterapia com seratonina e endorfina. “Corri até a terceira sessão e depois, como comecei a ficar muita cansada, passei a fazer bicicleta e natação. Mas não parei nunca de praticar esportes.”

E com estes dois pilares, Deborah passou pela maior corrida de sua vida e o melhor de tudo: venceu!

Passado algum tempo, ela foi procurada por uma editora para contar sua história em um livro. “Eu não aceitei de cara, porque não achava que minha história era digna de ser contada em um livro. Mas, depois de uns dois meses, aceitei e hoje ainda não acredito, quando percebo que ele toca tantas pessoas, ajudando-as em situações difíceis da vida”.

Dessa experiência, Debs, que é dentista de formação, deu uma grande guinada em sua vida e criou, ao lado da psicóloga Zora Viana, a Escola de Felicidade, um local para ajudar as pessoas a encontrarem as respostas e alcançarem esta tão sonhada felicidade, buscando estímulos para seguir em frente.

Se Debs ainda corre? Claro que sim. Ela completou a maratona de Boston, em abril, e agora se prepara para a maratona de Chicago. “Mas não é mais aquela coisa neurótica de ‘corrida é minha vida’. Tornou-se parte da minha vida, mas não ‘a minha vida’. Hoje paro no meio do treino pra tirar foto do amanhecer, paro pra agradecer. Se der pra fazer o treino todo, deu… Se não, tranquilo também.”

É isso, Debs, afinal, você sabe muito bem que a vida pode mudar em um piscar de olhos e não podemos perder nenhum momento!

Busque seu propósito. Deixe  seu legado.

Rê Spallicci








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