Carreira

O que faz alguém feliz no trabalho?

O que o deixa feliz no trabalho? Veja o que dizem as pesquisas.

 27 de maio de 2021
7 min de leitura

O que faz alguém feliz no trabalho

De acordo com Lord Richard Layard, diretor de Programa do Centro de Desempenho Econômico da London School of Economics, pesquisas apontaram resultados surpreendentes sobre a conexão entre bem-estar, saúde mental e como os empregadores podem desempenhar um papel importante na melhoria de nossas vidas no trabalho. Na verdade, o que deixa as pessoas felizes neste quesito são as mesmas coisas que as tornam felizes em suas vidas: sentimento de pertencimento, conexões sociais e um propósito ou significado.

Em um bate-papo com Tera Allas, diretora de Pesquisa e Economia do Centro McKinsey para o Governo, Lord Layard afirmou que os empregadores podem ter um papel muito importante para melhorar a vida de seus colaboradores diante dos desafios atuais, como a disrupção tecnológica e as doenças mentais.

Segundo Layard, várias causas tornam os seres humanos satisfeitos com suas vidas, mas a saúde mental é a mais importante. Entram neste pacote a qualidade do seu relacionamento, se você tiver um parceiro; sua percepção de progresso; a qualidade do seu trabalho; o bom relacionamento com seus colegas; a vizinhança onde você mora; a sensação de segurança; ter amigos e, claro, a saúde física.

Uma das descobertas relativamente óbvias da pesquisa é que as pessoas, no geral, não gostam muito de seus trabalhos. É um fato que realmente precisamos levar muito a sério, já que muitas atividades são entediantes ou extremamente cansativas.

Por outro lado, o estudo aponta que o trabalho também pode despertar um significado maior, propósito e conexão social. Porém, as atividades feitas pelos trabalhadores na maior parte do tempo não são muito inspiradoras. E o que os empregadores e gestores podem fazer para melhorar esse ponto?

As pessoas passam muitas horas todos os dias trabalhando. O pesquisador questiona que, se não podemos ter uma sociedade em que as pessoas apreciem seu trabalho, há algo muito errado. E o empregador tem um grande papel ao definir o contexto no qual as pessoas passam seu tempo trabalhando.

Layard aponta o fato mais chocante que descobriu na pesquisa sobre felicidade: a hora do dia ou da semana de que as pessoas menos gostam é quando estão com seus chefes. Isso certamente diz muito sobre o estilo de gestão que temos gerado nos últimos anos. Há regras demais que criam ansiedade e medo em vez de trazerem motivação, prazer e inspiração. Precisamos de gestores que liderem inspirando e não assustando as pessoas.

Outro aspecto danoso é um sistema de remuneração que instigue um trabalhador contra o outro. Quando as pessoas atuam em equipe, a remuneração por desempenho individual é uma péssima ideia. O ideal é ter pagamento por desempenho em grupo. E a pesquisa demonstrou que isso gera mais felicidade do que o pagamento por desempenho individual.

Como o trabalho afeta a saúde mental?

Como o trabalho afeta a saúde mental

Grande parte da força de trabalho está atualmente sofrendo de doenças mentais – cerca de uma pessoa em cada seis, segundo Layard. Quantos sofrerão com isso em algum momento de sua vida profissional? Provavelmente um em cada três. Esse número não é pouco quando falamos sobre o bem-estar da população. E os empregadores têm o dever de cuidar dessas pessoas.

Um estudo famoso de Alex Edmans, da London Business School, mostra as 100 melhores empresas para se trabalhar nos EUA e sua avaliação em comparação com o restante das principais organizações. E o valor de suas ações aumentam em 50% em relação às demais. Isso certamente diz muito, não é mesmo?

Como conquistar a felicidade no trabalho

A psicóloga Maria Eliane da Silva dá algumas dicas para alcançar a felicidade no ambiente de trabalho:

  • Avalie se a sua profissão abarca as habilidades que você tem em potencial: se o trabalho não explora as potencialidades, a pessoa não se sente útil e, muitas vezes, fica difícil desenvolver as tarefas;
  • A profissão reflete a vocação? Nem sempre a profissão exercida é o que a alma quer (vocação). Quando isso acontece, é preciso reavaliar o cargo e lugar em que se está e aonde se quer chegar;
  • Se o relacionamento com os colaboradores reflete alguma relação não resolvida anteriormente com outra “roupagem”, essa é a chance de compreender o que acontece, porque se isso não for elaborado, esses conflitos ficarão se repetindo;
  • Se você está em algum ambiente, a pergunta a ser feita é: “para que isso me serve, o que posso aprender com isso?;
  • Algo que deve ser feito é dividir o tempo (descanso, lazer e trabalho). É importante colocar sua “energia” em várias áreas da vida. Se a energia fica toda no trabalho, a saúde fica comprometida, tanto a física como a mental. O desenvolvimento da identidade também fica prejudicado; 
  • Respeite os horários de intervalo (café, almoço, lanche) para descansar e não para resolver problemas: se a mente estiver calma, a solução de problemas ficará mais fácil;
  • Tenha planejamento: é importante definir prioridades;
  • Mantenha a organização: isso ajuda a organizar a mente; 
  • Mesmo tendo uma rotina, tente mudar algumas coisas, tornando o seu dia mais agradável. Os hábitos nos são transmitidos pela nossa família e ancestrais e, para mudar o que nos provoca sofrimento, precisamos estar “presentes” no momento em que estamos. Normalmente, as preocupações ocorrem baseadas no que já aconteceu ou nas possibilidades do que possa ou não acontecer, normalmente não estão no presente;
  • Conecte-se com a gratidão e com as pessoas com essa vibração também: aqueles com os quais estamos devem nos elevar e não o contrário; 
  • Responsabilize-se pelo seu dia, sendo ele bom ou ruim: culpar os outros não vai tirar você da atual situação;
  • Você não sabe quantos dias terá, então trate cada dia como único e crie possibilidades, por menores que sejam, de torná-lo espetacular.  
  • Quando não conseguir resolver problemas sozinho, consulte um amigo, um superior ou ajuda especializada, se for o caso. Mas antes, pare, respire e tente se “ouvir”. Ouvir outras pessoas antes, sem estar conectado consigo mesmo, pode aumentar a confusão.  

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Rê Spallicci