fbpx Renata Spallicci - São Paulo e a volta dos esportes Thiago Lobo, secretário de esportes do município de São Paulo, fala como a cidade está se organizando para uma retomada segura das práticas esportivas.

Secretaria dos Esportes do Município de São Paulo prepara a retomada

RENATA SPALLICCI

Fitness

25/06/2020

Secretaria dos Esportes do Município de São Paulo prepara a retomada

Thiago Lobo, secretário de esportes do município de São Paulo, fala como a cidade está se organizando para uma retomada segura das práticas esportivas.

9 min de leitura

O esporte é certamente um dos setores mais afetados pela pandemia. E não digo só em relação ao esporte de alto rendimento, não. Digo o esporte como política pública, o esporte praticado por pessoas comuns, e que é algo tão essencial em tantas esferas da sociedade.

Por isso, eu conversei com Thiago Lobo, secretário de esportes do município de São Paulo,  para entender como a cidade está se estruturando para garantir uma retomada segura das práticas esportivas na cidade.  O secretário de esportes é  odontopediatra, empreendedor social com trabalhos na África e sertão do Brasil. É formado em Gestão Pública e professor de Políticas Públicas.

Na área esportiva, tem vasta experiência em gestão. Proprietário de uma agência de marketing esportivo, trabalhou de 2007 a 2012 na mesma Pasta, quando foi responsável pela criação da Virada Esportiva, programa Clube Escola, o início das Ciclofaixas na capital e pela criação da Coordenadoria de Esportes Radicais.

Trouxe para a cidade importantes eventos como os X Games, o UFC e a Mega Rampa.

Esporte é ferramenta de transformação social

Esporte é ferramenta de transformação social

Renata Spallicci – Como a Secretaria de Esportes está realizando os estudos e acompanhamentos da pandemia, a fim de  estabelecer protocolos para a volta das atividades esportivas?

Thiago Lobo – O trabalho que desenvolvemos aqui serviu de referência não só no Brasil, mas também em várias cidades do mundo e consistiu em unirmos diversas entidades para traçarmos um documento completo do esporte. Ao invés de fazer vários estudos, fizemos um estudo único com suas segmentações internas. Entre as entidades participantes, tivemos órgãos acadêmicos da área de medicina esportiva, Conselho Regional de Educação Física, além de representantes dos clubes, das academias, federações e confederações, entre outros. Todas essas entidades fizeram seus estudos, e nós compilamos as informações com a  supervisão de nossa equipe técnica e médica. Assim,  produzimos um material bem completo dos protocolos a serem seguidos.

RS – Muitas academias e clubes foram duramente atingidos, em virtude da proibição de suas atividades e ainda não possuem uma previsão de volta. Como a Secretaria de Esportes pode ajudá-las na retomada? O que é pensado neste sentido?

TL – Realmente a crise atingiu todos os segmentos da sociedade, e o meio esportivo foi duramente afetado. Não somente as academias e clubes, mas toda a cadeia, incluindo comércio e indústria. Aqui na cidade de São Paulo, nós já tínhamos um plano de desenvolvimento econômico por intermédio do esporte, e este projeto foi também afetado. Mas fizemos um trabalho junto à ACAD, Associação Brasileira de Academias, a ASECS – Associação dos Clubes do Estado de São Paulo e Sindclube, para que juntos façamos um processo de retomada com regras bastante sérias e organizadas para poder liberar no momento correto e com  garantia de segurança para todos. É certo que vai haver perda de receita, mas precisamos garantir a segurança dos empresários e dos clientes que irão frequentar estes locais. Já que entendemos que esporte é saúde, é importante que a retomada se dê o mais rapidamente possível, porque o esporte é essencial para a manutenção da saúde dos cidadãos.

RS – E sobre as atividades esportivas profissionais como futebol, vôlei, entre outras? A Secretaria está em contato com estas federações? Os protocolos da volta serão decididos em conjunto?

TL – Sim, criamos um protocolo com todas as federações e colocamos em um padrão, a fim de  qualificar em baixo, médio e alto risco. É um trabalho feito a quatro mãos.

RS – E para os atletas amadores que praticam exercícios em espaços públicos? Há algum plano específico para esta retomada? Como garantir a saúde das pessoas ao mesmo tempo que garanta o acesso a essas práticas esportivas?

TL – Sim, quando a gente fala em liberação dos espaços, estamos pensando em toda uma cadeia do esporte, incluindo os espaços públicos. Por isso, é algo que deve ser feito com muito cuidado e embasado em estudos. E os trabalhos desenvolvidos por cada federação foram importantes para que a gente possa qualificar as atividades em baixo, médio e alto risco. Um esporte como a corrida individual em espaços externos, por exemplo, é de baixo risco, um esporte como o vôlei que não tem contato físico, mas temos a bola que passa de mão em mão, é de médio risco, e um esporte de contato como o futebol ou as artes marciais, de alto risco. Quando liberarmos os espaços, então, vamos ter que levar em consideração esses riscos. Pode acontecer  de um parque abrir, mas com a proibição da prática do futebol, por exemplo.  

RS – E esportes, como provas de ruas? Já há algum lugar do mundo que tenha notícia que elas foram retomadas? Acredita que ainda este ano possamos ter novidades neste sentido?

TL – São Paulo é uma das capitais mundiais da corrida de rua. Sim, estamos acompanhando tudo o que está acontecendo no mundo, e nosso protocolo contemplou também a associação nacional da corrida de rua. A gente já tinha mudado o calendário de provas do primeiro semestre para o segundo semestre, mas grande parte dessas provas eventualmente não vão acontecer, por serem provas de grande público. Desde as recreativas até as de alto rendimento terão que ser revistas. Dentro da nossa expectativa, devemos ter provas de pequeno e médio porte até o final do ano. Mas lembrando que é tudo muito dinâmico e é a evolução da doença que baliza nossas decisões. Temos uma comissão aqui em São Paulo que trata da corrida de rua e somos exemplo mundial neste esporte, e este grupo está muito atento a tudo para que possamos ter uma retomada segura e que contemple toda a cadeia que o envolve.

RS – Qual o maior desafio que a Secretaria está enfrentando?

TL – Estar à frente de uma secretaria de esportes já é um desafio em tempos normais, porque, historicamente, tanto na esfera federal, como estadual e municipal é uma área que tem  baixíssimo orçamento. Em época de pandemia, alguns desafios extras. A gente não entende política pública de esporte como alto rendimento, mas sim como uma ferramenta de transformação social,  como uma ferramenta auxiliar de saúde, educação e segurança. A gente não tem como meta criar Pelés, Neymars, Gugas…Claro que temos uma coordenaria de alto rendimento, porém,  mais do que formar atletas, queremos formar cidadãos. E como fazer as pessoas usarem o esporte neste período de pandemia e pós-pandemia como uma ferramenta de transformação? Isso ainda com uma corte de orçamento, mais do que correta, porque todas as áreas tiveram que contribuir com a saúde que é a prioridade? Então, o que podemos fazer é dialogar com todas as esferas do segmento esportivo, desde as de   eventos, até patrocinados, para que juntos possamos enfrentar este momento. Algo que me anima é que muitas pessoas têm visto o esporte como uma forma de melhorar a imunidade e de estar mais saudável, o que  pode ser um elemento que alavanque mais praticantes do esporte, mesmo com todas as dificuldades mencionadas.  

RS – Qual a mensagem que gostaria de deixar para os cidadãos de São Paulo?

TL – Gostaria de dizer que ficamos muito satisfeitos com o relatório que desenvolvemos aqui na Secretaria de Esportes, pois foi benchmarking para várias áreas e entidades de todo o Brasil e do mundo. Realmente fizemos um documento bem completo que pensa em todas as esferas do esporte, desde dar segurança às pessoas, até pensando na questão econômica. Apesar de todas as dificuldades encontradas, eu acredito que estamos conseguindo reduzir a curva na cidade, e isso muito em função de todo o trabalho realizado pelo prefeito Bruno Covas e pelas secretarias. Um trabalho que certamente evitou que ainda mais mortes acontecessem. E todo o projeto que estamos realizando agora será fundamental para garantir o bem-estar do cidadão paulistano, quando tivermos a retomada.     

Minha gratidão ao Thiago pelos importantes esclarecimentos. Realmente torço para que logo possamos ver nossos parques repletos de pessoas praticando esportes e todas as atividades acontecendo normalmente em nossa cidade. Afinal, assim como o Thiago, acredito realmente na importância do esporte como um agente de transformação social!

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Rê Spallicci




Renata Spallicci

Atleta profissional fisiculturismo WBFF, executiva, empresaria, coach, influenciadora digital, escritora, palestrante motivacional e realizadora social fundadora do movimento Fit do Bem.

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