fbpx Renata Spallicci - infodemia-covid– o risco da desinformação em momento de pandemia

A Infodemia – a pandemia de informação que também nos afeta

RENATA SPALLICCI

Saúde

20/05/2020

A Infodemia – a pandemia de informação que também nos afeta

Como o excesso de informação e as fake news nos levam à outra pandemia

6 min de leitura

Enquanto as pessoas ao redor do mundo lutam com os impactos da pandemia do COVID-19, também estamos enfrentando outra pandemia paralela. Cunhado pela Organização Mundial da Saúde como infodemia, o termo se refere à guerra de informações, em que  é difícil distinguir comunicações confiáveis ​​de um barulho esmagador de vozes concorrentes e, em alguns casos, conflitantes.

De fato, com o COVID-19, já existem inúmeros casos de fake news, desinformação intencional e teorias de conspiração infundadas que se espalham nos meios digitais e físicos.

Rumores e desinformação não constituem novidade para o contexto de adversidades. Os pesquisadores há muito descrevem as fake news ou boatos como uma resposta natural às condições de incerteza e ansiedade que acompanham os eventos de crise.

E, devido à sua incerteza inerente e persistente, a pandemia do COVID-19 é uma tempestade perfeita para a disseminação de informações incorretas. A ciência de como a doença se espalha e pode ser tratada é incerta e dinâmica, e essas questões científicas levarão tempo para serem resolvidas. E isso nos deixa ansiosos e vulneráveis.

Sylvie Briand, diretora de Gerenciamento de Riscos Infecciosos, no Programa de Emergências em Saúde da OMS e arquiteta da estratégia da OMS, para combater o risco infodêmico, disse: “Sabemos que todo surto será acompanhado por um tipo de tsunami de informação, mas também, dentro dessas informações, você sempre tem desinformação, boatos, etc. Sabemos que mesmo na Idade Média havia esse fenômeno”.

Pandemia em época de redes sociais

Pandemia em época de redes sociais

Se é da natureza humana criar teorias conspiratórias e boatos em períodos de incerteza, desde tempos longínquos, essa mistura encontrou um terreno altamente fértil nas redes sociais. Por isso, para as empresas de mídia social, a infodemia representa um desafio ainda mais agudo.

“Com a mídia social esse fenômeno é amplificado. Portanto, é um novo desafio, porque você precisa ser mais rápido, se quiser preencher o vazio da informação …  O que está em jogo durante um surto é garantir que as pessoas façam a coisa certa para controlar a doença ou para mitigar seu impacto. Portanto, não é apenas informação para garantir que as pessoas sejam informadas, mas também para se certificar de  que as pessoas sejam informadas a agir de maneira adequada”, explica Briand.

A boa notícia é que, pelo menos,  as principais plataformas estão  tomando medidas. As plataformas implementaram políticas mais rígidas e adotaram ações mais fortes para impedir a desinformação relacionada ao COVID-19.

O Facebook tomou uma série de ações, incluindo a proibição de anúncios que tentam explorar a crise (por exemplo, usando informações erradas para vender produtos médicos), adicionando banners direcionando os usuários a informações autorizadas sobre o COVID-19, usando verificações externas de fatos para adicionar rótulos às informações incorretas sobre o coronavírus e criando um “hub”, onde os usuários podem encontrar atualizações das autoridades de saúde.

Atualizando sua “política de segurança” e estendendo sua definição de dano, o Twitter afirmou que proibiria tweets que “pudessem  colocar as pessoas em maior risco de transmitir COVID-19” – por exemplo, negando as recomendações de especialistas, defendendo tratamentos ineficazes ou prejudiciais, negando fatos científicos sobre o vírus ou divulgando alegações não verificadas que “incitam as pessoas a agirem e causam pânico generalizado”. A plataforma também estabeleceu  novos procedimentos para verificar e promover o conteúdo de “vozes com autoridade” no coronavírus.

E esta ação é essencial porque demonstra que as plataformas parecem estar reconhecendo – e aceitando – o poder e a responsabilidade de conter o fluxo de desinformação. Ao realizar avaliações de risco com base no conteúdo e no alcance, as plataformas estão aceitando que o dano é potencialmente aumentado pela influência social e manipulação algorítmica em suas plataformas. Eles parecem concordar em  que, embora a desinformação, às vezes, comece às margens do ecossistema da mídia, seu dano potencial aumenta exponencialmente quando é amplificado por influenciadores.

Como lutar contra a Infodemia

Cerca de 20 funcionários e alguns consultores estão envolvidos, globalmente,  nas equipes de comunicação da OMS para lutar contra esta outra epidemia. Isso inclui o pessoal de mídia social em cada um dos seis escritórios regionais da Organização, consultores de comunicação de risco e oficiais de comunicação da OMS.

Aleksandra Kuzmanovic, gerente de mídia social do departamento de comunicações da OMS, acredita que “combater a desinformação é um esforço conjunto entre nossa equipe de comunicações técnicas de risco, a mídia tradicional e as próprias pessoas”.

Isso porque, além dos órgaos oficiais, todos nós podemos fazer nossa parte para não permitir que a infodemia se espalhe. Para tanto,  os cuidados são bem mais fáceis do que aqueles para evitar a contaminação pela COVID-19.

Em primeiro lugar, reflita antes de compartilhar uma notícia: faça uma busca rápida para ver se a notícia é realmente verdadeira.

Em segundo, foque nos fatos: verifique  a fonte da informação e veja se ela veio de um órgão oficial, ou seja, da OMS ou do Ministério da Saúde.

E em terceiro, seja cauteloso com o conteúdo: muitos vídeos e imagens são tirados de contextos.

Lembre-se: a desinformação pode se espalhar tão rapidamente  quanto o vírus.Mas fazer as perguntas certas pode impedir a “infodemia”.

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Renata Spallicci

Atleta profissional fisiculturismo WBFF, executiva, empresaria, coach, influenciadora digital, escritora, palestrante motivacional e realizadora social fundadora do movimento Fit do Bem.

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